Grupos da Praia acusam o MC de criar elites no Carnaval

15/12/2016 08:35 - Modificado em 15/12/2016 08:35
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carnavalA forma de distribuição do financiamento da verba para os grupos carnavalescos não agradou aos grupos Vindos do Mar, Vindos d´África, Estrelas da Marinha e Inter-vila. Os mesmos contestam e acusam o Ministério da Cultura e Indústrias Criativas de clara discriminação.

Os grupos carnavalescos das ilhas de São Vicente e São Nicolau receberão um montante maior em relação a outros grupos a nível nacional. A decisão foi do Governo que “assumiu propositadamente esta estratégica nessas duas ilhas por serem aquelas onde o Carnaval já se conseguiu estabelecer. Assim sendo, decidiu trazer esta distribuição de rendimento e incentivo para a programação turística do país”.

Contudo, esta medida do Governo não agradou aos grupos carnavalescos da cidade da Praia, Vindos do Mar, Vindos d´África, Estrelas da Marinha e Inter-vila. “Achamos que o Governo deve ser um parceiro e não um criador de elites do Carnaval de primeira e de segunda”, adiantou Vladimir Ferreira do Grupo Vindos do Mar que exige a correcção da decisão de modo a repor a igualdade de oportunidades a todos os cidadãos do país.

“Caso o Ministério da Cultura não reconheça o erro e não dialogue connosco, a Cidade da Praia não terá o Carnaval que se queria. Aliás, vamos solicitar ao Presidente da República que intervenha neste assunto para a resolução do problema”, defende o activista.

Ferreira acredita que “nestes últimos dez anos a Capital de Cabo Verde tem tido um percurso a nível do Carnaval bastante notável e todos os grupos têm demonstrado acções de qualidade que dignificam a cultura do país. Todos os anos, a Avenida Cidade de Lisboa acolhe mais de 50 mil pessoas por causa da dimensão que o nosso Carnaval está a ter e esta manifestação cultural deverá ser respeitada”.

Para o Carnaval 2017, os grupos de São Nicolau, Associação Copa Cabana, Associação Estrela Azul e o Brilho da Zona, deverão receber 800 contos cada, enquanto que os cinco grupos de São Vicente, Monte Sossego, Cruzeiros do Norte, Grupo Recreativo Flores do Mindelo e Associação Carnavalesca Vindos do Oriente, foram contemplados com 1000 contos cada e a Escola de Samba com 800 contos.

O mesmo questiona ainda os critérios utilizados para a atribuição dos montantes, uma situação que considera de “clara discriminação dos grupos de outras regiões do arquipélago”. Ferreira acredita que justiça seria feita com o lançamento de um concurso público onde os grupos interessados apresentavam um projecto.

Ivan Santos, Director Nacional das Artes e Indústrias Criativas, assegura que os critérios para beneficiar do financiamento “não foram rígidos”, constavam na entrega das candidaturas no prazo limite, documentos de constituição dos grupos, conta bancária, prestação de contas, pagamento das quotas, sinopse do desfile e histórico dos três últimos desfiles e os valores foram discutidos com os grupos para o reconhecimento das necessidades de cada um.

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