Português ensinado como língua estrangeira: os dois lados da mesma moeda

12/12/2016 07:10 - Modificado em 12/12/2016 07:27

portuguesA Ministra da Educação, Maritza Rosabal, causou mal-estar em algumas pessoas que estão surpresos e inquietos com o anúncio que a língua portuguesa será ensinada como língua estrangeira. Todavia, nas redes sociais não reúne-se consenso sobre esta matéria, visto que há quem acredite que essa medida deveria ser tomada há muito tempo e parabenizam a ministra pela coragem de enaltecer o crioulo e que defendem que realmente o português não é dominado pelos alunos.

 

O PAICV durante a sua governação iniciou um projecto com turmas bilingues em Santiago e São Vicente, agora com  nova governação do MpD, a ministra da educação assegura que “a língua portuguesa é abordada como língua primeira de Cabo Verde, quando não é. Temos uma eficácia do sistema muito baixa, onde apenas 44% das crianças que começam o primeiro ano finalizam o 12º em tempo. Temos muitas perdas” neste sentido a ministra Maritza Rosabal defende que esta matéria deve ser bem analisada e que exige mudanças, entre os quais que o português passará a ser ensinado como língua estrangeira. Esta medida foi bem recebida por alguns internautas, no qual apoiam a decisão do executivo cabo-verdiano e Tavares diz que “em todos os países onde há respeito pelos direitos linguísticos, o ensino se processa na língua materna dos seus falantes. Essa decisão já deveria ser tomada muito antes, porque somos cabo-verdianos, em quase todos os momentos das nossas vidas falamos só o crioulo e mesmo assim somos obrigados a estudar o português como se fosse a nossa primeira língua. Penso que já houve estudos sim, até porque houve experiências piloto do ensino bilingue em algumas escolas do país e com sucessos… Essa decisão trará mais benefícios no que tange ao ensino/ aprendizagem da língua portuguesa”.

Ainda relembra-se que o conceituado escritor, Germano Almeida, acredita que “com o crioulo não vamos longe, não saímos das ilhas”, apesar de defender a oficialização do crioulo o mesmo acredita “num ensino do crioulo rigoroso, mas o português tem de ser ensinado como uma língua estrangeira, porque não é a nossa língua nacional. Considero muito importante a nossa gente saber falar português bem” disse o escritor em uma entrevista.

Contudo há quem coloca algumas interrogações sobre a decisão de tornar o português como língua estrangeira e apesar de parabenizar pela coragem do governo, a questão é “estamos preparados para avançar?” pergunta Fortes, que para além de algum receio o mesmo diz que “finalmente um governo com coragem e sem complexo para assumir a nossa língua como prioritária” e um docente acrescenta que é uma excelente medida sendo que no futuro os alunos terão melhor domínio da língua portuguesa.

Por outro lado, existem aqueles que não concordam com a medida da ministra da educação e defendem que Cabo Verde a nível do ensino está perante “uma morte anunciada”, visto que o português é uma das línguas mais faladas no mundo, “como é óbvio as elites do país vão continuar a aprender em Português, porque querem que os filhos aprendam a 5ª língua mais falada do mundo. Os pobres esses vão aprender crioulo, assim podem comunicar uns com os outros mas não com o exterior e não vão ter acesso a Portugal, ao Brasil (…) e o seu futuro continuará pobre. Falar Crioulo é tão útil como Umbundo ou outra língua nativa, é bom para deixar o povo na miséria, porque os ricos, esses vão falar outras línguas” frisa Rui Lopes. Também há quem defenda que o ensino cabo-verdiano já teve melhores dias e que algo está a falhar, mas “ não se trata do domínio do português, porque antes de 1975 o ensino no nosso país tinha um nível bom, invejável mesmo em outros países Lusófonos, em que Cabo Verde ” exportava “, digamos assim, jovens com habilitações para todos os cantos dos países da língua portuguesa para quadros públicos em todas as áreas, não falando de professores em Universidades. Como é que se falava e escrevia – se correctamente o português, que não havia complexo nenhum, coisa que se nota agora nesta nova geração do nosso país e evidente que algo está a funcionar mal em termos do ensino” diz Joaquim Almeida.

  1. Aquariana

    Bom dia,

    No terceiro parágrafo deste texto, o correcto é dizer ” HÁ QUEM COLOQUE….” e não ” Há quem coloca…”
    Se pudessem fazer a correcção… nós leitores, agradecemos.

  2. Mario Silva

    É triste e vergonhoso ver um jornal, como o on line Noticias do Norte” não saber distiguir o ensino do português “não como lingua materna” e o ensino do portgues como Língua estrangeira.
    O portugues não poderá ser ensinado como lingua estrangeira, porguanto é oficial e consequentemente nacional.Simplesmente deixará de ser ensinada como lingua materna, lingua primaria, porque na verdade não é e nunca foi. O jornal que eescreva melhor a noticia. A ministra nunca se referiu ao portugues como lingua estrangeira.

  3. César Silva

    Agora vamos pedir as editoras portuguesas e brasileiras que passem a publicar os livros cientificos em crioulo de Cabo Verde. Ensina-se o português como lingua estrangeira e dpois que o aluna sair e for para o 5º ano como será, pedirão livros cientificos em crioulo? As universidades passarão a imprimir os seus proprios livros ou plagiarão os que estão escritos em portugues. Quero ver no curso de licenciatura em economia como será ou no curso de direito ou no de sociologia, psicologia. O governo e os defensores do criolo mandarão imprimir tudo de novo mas em criolo né? Cambada de burros ignorantes que não dominam o portugues e por serem e foram zeros em lingua portuguesa, hoje querem impor o criolo. Começando pela ministra que é estrangeira e como não domina o portugues vem com essas tretas de por o portugues como lingua estrangeira. Exmª senhora ministra, o portugues foi sempre e desde que Cabo Verde é Cabo Verde, a nossa lingua.

  4. Clara Medina

    Maritza Rosabal adiantou que entre os alunos cabo-verdianos a capacidade de leitura e interpretação e a proficiência linguística são questões que se colocam “com muita acuidade”.]
    Mas seja qual fôr o método que fôr introduzido o mesmo será condenado ao falhanço se em vez de começarem com os alunos não começarem primeiramente com os professores.
    Todos nós sabemos que após a independência grande número de semi-analfabetos foram colocados como professores e que desconheciam ou melhor não tinham o mínimo nível para ministrar a língua portuguesa e para camuflarem a sua ignorância recorriam ao crioulo com tábua de salvação.
    O resultado está à vista e o problema em vez de diminuir vai aumentar consideravelmente se Manuel Veiga, Marciano e outros com a mesma ideologia de introduzir o Alupek como língua oficial tiverem sucesso.
    Devo esclarecer que como aluna e não só eu, pois a maioria dos cabo-verdianos em Coimbra tinha estudado no Liceu Gil Eanes o nosso nível de conhecimento da língua portuguesa era motivo de inveja para muitos portugueses “nascidos e criados” em Portugal.
    Outra coisa não seria de esperar com mestres que dominavam com uma sublime maestria a língua de Camões, como Doutor Baltazar, Dona Maria de Jesus, Dona Felicia, Doutor Roque Gonçalves e tantos outros principalmente oriundos do Seminário de S.Nicolau.
    No meu tempo exigir um aluno com o sétimo ano dos Liceus uma prova de conhecimento do português para frequentar qualquer curso em Portugal era totalmente impensável.
    Outros tempos, outros valores, outras exigências.

Os comentários estão fechados.

Publicidades
© 2012 - 2018: Notícias do Norte | Todos os direitos reservados.