Descobertas células que iniciam metásteses do cancro

9/12/2016 07:23 - Modificado em 9/12/2016 08:24
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salvadoraznar1Cientistas do Instituto de Investigação Biomédica de Barcelona (IRB), publicaram um estudo que revela ter descoberto as células que iniciam o processo de metástese dos cancros – e que as células tumorais estão dependentes de gordura para começar a metástese. Um tratamento experimental que bloqueia o transporte de gorduras diminui o processo, por isso uma mudança de dieta poderá ser crucial.

A equipa liderada pelo cientista Salvador Aznar, que publicou o estudo esta quarta-feira na revista Nature, aponta como responsável a proteína CD36, um recetor celular especializado no transporte de moléculas de gordura, que leva a que as células iniciem uma metástase – o processo pelo qual as células se desprendem do tumor e provocam outros em diferentes partes do corpo.

«Com maior nível da CD36 é maior a probabilidade de que um tumor metastatize. Não comprovámos isto em todos os tumores, mas em grande parte dos mais comuns, e há uma associação direta entre a presença da CD36 e um pior prognóstico em pacientes», resumiu Aznar ao El País.

O estudo relaciona, então o consumo de gordura com o processo de metástese e questiona se uma dieta rica em gorduras poderia provocar mais metástase? No estudo, ratos inoculados com células tumorais e que seguiram uma dieta normal apresentaram metástasse em 30% dos casos. No entanto, quando eram alimentados com uma dieta 15% mais rica em gorduras, cerca de 80% dos ratos tinham mais metástases, e de maior tamanho.

A equipa do IRB estudou que tipo de gordura era a mais perigosa. O ácido palmítico, um ácido de origem vegetal e componente principal do óleo de palma — presente numa grande variedade de alimentos processados —, demonstrou ser, de longe, o maior indutor de metástases. Adicionar palmítico a cultivos de células tumorais durante apenas 48 horas fazia com que essas células fossem capazes de aumentar a frequência metastática de 50% a 100% em ratos.

Foi também explorado um possível tratamento: dado que a CD36 é um transportador, impedir a passagem de ácidos através de moléculas chamadas de anticorpos poderia bloquear o mecanismo. «Comparámos todos os anticorpos comerciais da CD36 e vimos que dois deles efetivamente são neutralizantes: não só reconhecem a proteína, como a bloqueiam e têm um efeito antimetastático tremendo», relatou Aznar.

O laboratório já solicitou a proteção de patente e começou uma colaboração com a empresa inglesa MRC Technology, especializada em desenvolvimento de anticorpos para uso clínico. Serão testados em ensaios clínicos em humanos e, se o resultado for positivo, poderiam estar disponíveis num prazo de 5 a 10 anos.

O cientista recomenda, desde já, uma mudança na dieta dos pacientes.

 

abola.pt

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