Licenciado em Gestão de Empresas trabalha como ajudante de pedreiro

6/12/2016 08:26 - Modificado em 6/12/2016 08:26

pedreiroNa falta de emprego, Elisandro Dias resolveu colocar mãos à obra, ajudando o pai na construção civil. O jovem de 27 anos licenciou-se em Gestão de Empresas, mas a vida não tem sido fácil sem um dia de trabalho. Assim, só lhe restou a função de ajudante de pedreiro. Contudo, a esperança é o que não lhe falta pois almeja vir a ser um dia, um grande gestor.

 

Elisandro Dias é natural da ilha de Santo Antão mas reside há vários anos na cidade da Praia onde há dois anos se licenciou em Gestão de Empresas. Apesar da procura, o jovem gestor até agora não conseguiu entrar para o mercado do trabalho engrossando a longa lista de jovens licenciados desempregados no país.

O jovem de 27 anos diz ter objectivos a alcançar, mas está a ser difícil concretizá-los devido à falta de oportunidades de emprego. Cansado de depender dos pais que “tanto se sacrificaram para pagar as propinas”, Elisandro resolveu trabalhar como ajudante de pedreiro para também poder contribuir em casa.

De fato de macaco e de mochila às costas, o jovem acompanha diariamente o pai que é pedreiro. O mesmo conta que saem de casa às seis horas da manhã e só regressam à tardinha. Só lhe resta tempo para descansar para poder voltar à tarefa no dia seguinte.

Num país onde o desemprego afecta a maioria dos jovens, sobretudo, com formação superior, resta esperar que um dia a sorte venha a calhar ou partir para o subemprego. O entrevistado que lamenta a situação, acredita que “estar em casa sem ocupação é muito mais complicado”.

“Gostaria de trabalhar na área em que me formei, porque foi assim que sonhei. No entanto, penso que estou numa condição provisória até conseguir um trabalho mais adequado a minha formação ”, afirma o jovem sedento de uma nova oportunidade.

O entrevistado ressalta a necessidade do Governo reforçar as medidas para pôr cobro à situação do desemprego, pois “a delinquência, o mundo das drogas, das doenças mentais, da frustração são consequências da falta de ocupação para os jovens”.

  1. Augusto Galina

    Parabéns a este Homem Honrado que não discute a qualidade de trabalho para ganhar a vida honestamente. Todavia é de lastimar a politica de um pais mais versado ao nepotismo e à anarquia ou a um desiquilibrio geral onde não existe um Plano para facilitar a criação ou o escoamento. As escolhas não são estudados os cursos ou não estudam as carências presentes e futuras.

  2. Clara Medina

    Muitos pais e encarregados de educação que viram, fecharam os olhos e os ouvidos e nem tão pouco quiseram vêr nem ouvir que esses cursos universitários e superiores em Cabo Verde e não só não tinham futuro e que a concessão de bolsas e outras benesses não passavam de propaganda partidária. E o resultado está há muito tempo à vista e esses milhares de estudantes liceais e superiores, desempregados, frustrados e sem nenhuma perspectiva dum futuro posto de trabalho, constituem uma verdadeira bomba atômica no seio da sociedade cabo-verdiana.
    Não se pode condenar apenas os políticos e essas universidades que vêm ludibriando as pessoas com reclames oferecendo centenas de cursos que preparam os alunos linha recta para o desemprego pois qualquer pessoa com um mínimo de bom senso sabe que o mercado interno é limitadíssimo e as portas da emigração por todos os lados estão há muito encerradas e esta tendência vai durar anos e anos.
    E o mais caricato de tudo isto é que se precisarmos dum bom eletricista, dum bom mecânico, dum bom carpinteiro, etc,etc, temos de o procurar com uma lupa.
    Os cabo-verdianos têm um complexo enorme para com títulos de doutor, engenheiro, gestor de empresas e demais rótulos exibicionistas e bombásticos, uma herança negativa da mentalidade portuguesa, (desculpem-me pois culturalmente sou uma anglo-saxonica) que apenas frequentar um edifício que se auto-intitula de universidade é para eles uma vangloria mesmo sabendo que os seus filhos não possuem o mínimo de capacidade cognitiva superior à instrução primária ou que estão predestinados ao desemprego ou obrigados a exerceram uma função bastante inferior àquela onde perderam tanto tempo e tantos recursos financeiros inclusive muitos chegaram a hipotecarem as suas casas.
    E o resultado está e já esteve à vista mas continuamos a dançar indiferentes às consequências desastrosas à volta da cratera do vulcão como se nada fosse, como se nada aconteceu, como se nada vai acontecer.
    E esta peça dramática para não dizer trágica, ainda vai infelizmente no adro onde as vítimas são uma faixa considerável da população jovem que é o futuro duma Nação.

  3. Pedro

    Acho que os jovens precisão ser orientados na escolha de formação que irá fazer. com o contesto actual não se pode dar ao luxo de fazer um curso porque gosta, mas ver o que o marcado precisa. As Universidades também não podem continuar a abrir cursos torta a direita sem estudar o mercado.

  4. Kriol

    É certo que os empregos são proporcionados pelas empresas, cuja dinâmica depende do estado de saúde da nossa economia. Assim, e num país de parcos recursos, o Governo deveria também equacionar politicas de promoção de emprego através da expatriação de quadros jovens (recém licenciados) para os PALOP. Não será difícil conseguir um acordo nesse sentido com Guiné-Bissau, Angola, e São Tomé e Príncipe, onde poderiam, em principio, experimentar uma carreira profissional entre 03 a 10 anos, período suficiente para granjearem experiência e experimentarem outros voos. Se houver visão e vontade política, havemos de chegar lá.

  5. kanja ku pastel

    já ki bendi kanja ku pastel ka podi.ki seja serventi di konstruson civil.

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