São Vicente: Mulheres reclamam atraso na realização de vários exames médicos

2/12/2016 08:43 - Modificado em 2/12/2016 08:43
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saude_da_mulherAlgumas mulheres residentes em São Vicente, denunciam o atraso na realização de alguns exames, nomeadamente, mamografias, transvaginais, ecografias mamárias, citologias, pelo que se sentem revoltadas e preocupadas com a saúde que é uma das maiores preocupações de todas.

A exemplo disso, algumas das entrevistadas dizem “ter feito consultas em Março do corrente ano, tendo sido requisitados alguns exames, mas que não havia marcações e outros, como por exemplo, a mamografia que por grande coincidência viu o aparelho inaugurado nesse dia, até agora está inoperacional por motivos alheios, obrigando-as a irem realizar esses exames no privado, acarretando custos que para muitas delas estão acima das próprias possibilidades, com a agravante que o INPS não assumia os reembolsos”.

Segundo nossa fonte, “a transvaginal, outro dos exames considerados fundamentais, não estava a ser marcada há oito meses com a previsão de tal acontecer a partir de Novembro do corrente ano. Após esse tempo, ao dirigir-se aos balcões de atendimento para a marcação do exame, foi informada que só há disponibilidade para Setembro de 2017”.

“A saúde está em primeiro lugar e, por isso, questiono: como é possível, num país de desenvolvimento médio, inaugurar um aparelho de mamografia com “pompa” e circunstância, um aparelho vital para o diagnóstico da saúde da mulher, e este está inoperável à data? Como se justifica o país não satisfazer as necessidades dos utentes que não conseguem fazer os exames atempadamente?”, frisa.

Esses exames, na óptica das entrevistadas, deveriam ser preventivos e não são realizados a tempo, fazendo com que muitas vezes os resultados conhecem-se tarde demais.

Duas das entrevistadas, as Sr.ªs Adriana Soares e Sílvia da Luz estão preocupadas em relação à realização do exame de mamografia bilateral no H.B.S. em São Vicente, pelo facto de não serem realizados no hospital e, não tendo condições financeiras para a realização dos mesmos no privado, optaram por não fazer.

“Após uma consulta, há mais ou menos oito meses, foi-me solicitada uma mamografia que acabei por não fazer porque o tempo de espera é muito exagerado, pelo que me sinto preocupada em relação a esta situação, pois se fosse para morrer, já teria morrido”, afirma Adriana Brito Soares.

Para a Sr.ª Sílvia da Luz, outra das entrevistadas, “há mais ou menos seis meses fui marcar uma mamografia bilateral e disseram-me que não havia marcação e como necessitava do exame, optei por fazê-lo numa clínica privada, acabando por pagar por volta dos 3 mil e 500 escudos, o que foi um enorme sacrifício pois as minhas condições financeiras não permitiam tal despesa para mim nessa altura, porque o meu rendimento não me permite realizar esse tipo de exames em clínicas privadas”.

No entanto, o NN contactou a Directora do Hospital Baptista de Sousa, Dr.ª Ana Brito que disse que “quando tomámos posse, soubemos que existia um aparelho de mamografia no Hospital no serviço de radiologia mas que não havia condições para a realização da mamografia. O aparelho encontra-se numa sala que, inclusivamente até foi pintada mas que, de momento, o aparelho não está a funcionar porque não temos uma sala de espera onde colocar os utentes”.

“De momento, o aparelho encontra-se numa sala isolada porque não podemos colocar os nossos utentes em risco por causas das radiações que o aparelho de mamografia emite, pois essas radiações são muito prejudiciais à saúde não só dos nossos utentes como também dos nossos trabalhadores”, afirma.

De acordo com a Directora do H.B.S., de momento, há obras no serviço de radiologia a fim de resolver esse problema que tem sido um transtorno para os utentes.

“Estamos em obras no serviço de radiologia construindo uma sala de espera onde colocar os nossos utentes e resolver o problema, contudo, ainda faltam alguns periféricos que são muitos importantes que são as condições financeiras, mas graças a Deus, já temos ajuda do INPS, do ROTARI e também mais um montante em dinheiro que nos vai permitir adquirir esses periféricos, nomeadamente, a ecografia mamária, a protecção dos nossos funcionários por causa das radiações a que ficam sujeitos e, outros periféricos como a estilização das imagens das ecografias para que possamos fazer o diagnóstico do exame. Sendo assim, conseguem medir anualmente ou mensalmente a quantas avaliações foram sujeitas que é muito importante para o controlo dos mesmos”, adiantou.

A Directora garante que os utentes terão acesso às ecografias mamárias para o ano que vem, mais precisamente no mês de Janeiro de 2017 devido às obras em que o Hospital se encontra de momento.

Em relação ao exame da transvaginal, a Directora, desconhece esse tipo de problema e disse que “estavam com problemas em relação às ecografias porque temos um único aparelho e esse aparelho, de momento, encontra-se com vários tipos de avarias devido a cortes eléctricos. Entretanto, esse mesmo aparelho é que faz exames de emergência e de rotinas e por causa dos problemas que o aparelho tem neste momento, temos de o deixar ligado durante todo o dia porque, caso contrário, se encerrarmos o aparelho perdemos muito tempo para reiniciá-lo novamente”.

“Contudo, no mês de Janeiro de 2017, estamos à espera de equipamentos através da ajuda do Ministério da Saúde, do fundo Árebre através de doações que se encontram na fase inicial do concurso na obtenção dos equipamentos necessários”, adiantou a Dr.ª Ana Brito.

 

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