Nair: Recém-licenciada, desempregada, decepcionada e preocupada

30/11/2016 08:26 - Modificado em 30/11/2016 08:26

estudantes universitariosNair David Carvalho, cabo-verdiana, licenciada em Engenharia Comercial na Universidade “UNIVALLE” da Bolívia desde Dezembro de 2014, hoje encontra-se decepcionada e preocupada com o rumo que as coisas estão a tomar no país.

 

“Voltei para Cabo Verde em meados de Janeiro de 2015 e desde então, estou à procura de emprego mas até agora não tive nenhuma oportunidade de trabalho. No entanto, nesse período de tempo, tive um período de estágio na ADECO e na Empresa Bento S. A.”, afirma Nair Carvalho.

A cabo-verdiana encontra-se decepcionada e preocupada: “Sinto-me decepcionada e preocupada com o rumo que as coisas estão a tomar. Todos os anos há novos licenciados e dizem que o mercado do trabalho já se encontra saturado. Entretanto, têm a “pachorra” de classificar Cabo Verde como um país de desenvolvimento médio, afirmando que estamos a crescer nessa proporção quando não há factos que o justifiquem. Pode ser que tenhamos uma situação razoável neste momento, porque se tivéssemos um bom nível de crescimento tinha de haver trabalho e boas condições de trabalho para todos. Não se pode falar em crescimento quando no país há pessoas com necessidades e não têm oportunidades de trabalho”, conta.

Em relação às exigências do mercado de trabalho, Nair Carvalho afirma que “as empresas estão a ser muito radicais, quando realizam concursos para ocupar determinados postos exigindo experiência mínima de 2 anos, pelo que já o recém-licenciado não tem a oportunidade de se candidatar. E questiona: Se não nos dão a oportunidade de trabalhar como é que vamos adquirir essa experiência?”.

“Até agora só passei por períodos de estágios. O estágio é bom mas ter um trabalho fixo é ainda melhor, não ter preocupações tais como: a data da finalização, o que vou fazer depois de terminar o estágio, pois uma pessoa sente a satisfação por estar a fazer o seu trabalho e a contribuir para o melhor funcionamento de uma organização. Afinal, não estudamos durante vários anos para depois ficarmos no desemprego e não termos oportunidades de acordo com a nossa formação”, frisa Nair Carvalho.

Em relação ao estado psicológico, a cabo-verdiana disse que “o estado de ânimo é instável. Às vezes sinto-me toda esperançosa, que as coisas vão tomar um rumo diferente, que tudo vai dar certo. Mas, há vezes que o desânimo toma conta, penso que cada dia está passando. E que se passará? Será que não vai chegar a minha vez?”.

“Na minha opinião, a questão da experiência deveria ser reduzida pelo menos para dar oportunidade aos jovens desempregados”, disse.

Peço a colaboração das entidades públicas para resolverem essa questão de numerosos licenciados estarem no desemprego em Cabo Verde e para tomarem medidas urgentes e renovadas para enfrentarem esta crise. Buscando parcerias para juntar porque só assim poderão melhorar esta situação tão preocupante para nós jovens no mercado do trabalho”, afirma.

A recém-licenciada deixa uma sugestão ao Governo: “Eu sugiro que o Governo juntamente com as empresas crie uma parceria de um programa de integração e de estágio para os jovens desempregados e, em contrapartida, os parceiros seriam beneficiados na diminuição das taxas”.

  1. jobs for the boys

    OLA NAIR, Não tens um “compadre” numa das Instituições do Estado que que beneficia “jobs for the boys and girls”? Este não é o melhor caminho, mas as coisas funcionam assim em Cabo Verde. O PAICV perdeu as eleições porque os cabo-verdianos estavam indignados pelas desigualdades e injustiças sociais. Os cabo-verdianos, principalmente os licenciados desempregados estavam “FARTOS” da tamanha injustiça a favor de camaradas, militantes, amigos e familiares; Finalmente, muitas pessoas estavam indignadas com “o compadrio/amiguismo” na Administração Pública. Quantos sujeitos foram recrutados e nomeados para cargos por serem filhos/amigos/familiares do Sr(a) Fulano/Fulana militante do Partido? No Palácio do Governo, nalgumas Câmaras Municipais, nos serviços alfandegários, na Enapor, no INPS, no INDP, no AMP, na Electra, etc. Esses e mais outros factores conduziram a queda do Governo de José Maria Neves. O MPD também deve aprender. Começou mal e se não considerar/respeitar as críticas da sociedade nesta matéria, será expulso da Governação nos próximos 5 anos. AGORA OS CABOVERDIANOS ESTÃO COM OS OLHOS ABERTOS.

  2. klara

    Aguenta amiga somos muitos. Sou licenciada desempregada com 20 anos de trabalho no mundo territorial de um lado para outro rabidando a vida para sobreviver. Lamento muito a tua condicao, quantos como tu neste pais a espera de uma oportunidade, infelizmente

  3. nessa terra so se pedem experiencia para outros que tem seus trabalhos fixo, poderem tirar mais uns rendimentos extras

  4. neves

    Hoje em dia, pelo ritmo que as coisas andam, a questao de exigir experiencia de trabalho ja nao se coloca, pelo menos nos cargos tecnicos de base. Isto porque as empresas/ empregadoras podem capacitar ou formar um quadro recém formado em pouco espaço de tempo, pronto para trabalhar!!

  5. GASTÃO ELIAS

    A solução passa pela escolha de um curso com empregabilidade no nosso mercado de trabalho. Engenheira Comercial feito na Bolívia, que prestígio terá em Cabo Verde ? Há cursos comerciais na Escola Técnica. Uma contabilista monta uma empresa. Uma curso de cozinheira / mestre de cozinha tem emprego garantido em toda a parte do Mundo. Em Cabo Verde os mecânicos, serralheiros, canalizadores, electricistas, carpinteiros, sapateiros, técnicos de frio, enfermeiros e por aí fora têm emprego certo e bem remunerado. AGORA CURSO SUPERIOR DE SECRETÁRIA ?

  6. Francisco andrade

    Nair dirige a ADEI. esta tendo oficinas de empreendedorismo.
    Eu e mais uns amigos fomos indicados por um professor e estamos empenhados em tornarmo-nos empreendedores. Vale a pena

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