Diminuição da pobreza: nem tudo são rosas e euforia

25/11/2016 08:26 - Modificado em 25/11/2016 08:26
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pobrezaOs dados do INE apresentam uma redução da pobreza em Cabo Verde. Um dado bem recebido pela classe política, sendo que o PAICV já veio publicamente congratular-se com esta diminuição. No contexto geral, a diminuição da pobreza é um dado importante que demonstra o desenvolvimento do país. As informações dizem que o número diminuiu mas não foi eliminado, isto levando em conta a realidade, ou seja, que a pobreza ainda é uma preocupação.

Enquanto a estatística não afectar directamente as pessoas, os dados da redução da pobreza não terão muito peso do ponto de vista de quem ainda tem dificuldades em viver de forma estável e tranquila. Visitando algumas zonas da ilha para entrevistar algumas pessoas sobre os dados da diminuição da pobreza, o resultado é que esse dado é irrelevante uma vez que o desenvolvimento ainda não chegou a todos.

“Aqui (Monte Sossego) ainda vemos pessoas com muitas dificuldades e eu sou uma delas”, afirma Fredson Lima. Ele está desempregado de momento e trabalha em tudo o que aparecer. Revela que apesar da sua condição ser difícil, há pessoas em pior situação. E sobre um comentário sobre a diminuição da pobreza diz que se aconteceu não viu. “Todos os dias vejo as pessoas com as mesmas dificuldades e não tenho visto muita mudança” e, com este comentário, mostra toda a sua indiferença.

Não é apenas este cidadão que não leva muita em conta o dado da diminuição da pobreza e os motivos são os mesmos. “Enquanto ainda existirem pessoas com dificuldades em conseguirem viver de forma tranquila e confortável sem preocupação, a diminuição da pobreza traz alegria apenas para alguns e não a todos”, comenta Carlos Delgado, morador em Espia. O mesmo elenca as dificuldades com a falta de emprego de momento e com a família por sustentar. Mas, como adianta, é um trabalhador e faz o que aparece.

O sentimento para quem ainda vive em dificuldades é o mesmo, assim como os pedidos. “Para melhorar a situação para todos dever-se-ão criar empregos e ajudar as pessoas que mais necessitam e não têm muitos meios”, adverte Augusta Carvalho. O mesmo pedido encontra eco em Fernando Silva, morador em Espia, segundo o qual é preciso fazer mais ainda para que todos possam viver de forma condigna. E alerta que em São Vicente existem muitas pessoas a passarem “por grandes dificuldades”.

Apesar da diminuição dos números da pobreza, os mesmos não constituem de todo um sentimento de alegria para quem ainda passa por dificuldades em levar a panela ao lume ou que ainda não tem um trabalho condigno para suprir às suas necessidades. Neste sentido, a esperança é que os números possam continuar a melhorar, possam abranger todos.

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