Venda ambulante: O sector informal que sustenta várias famílias na cidade da Praia

24/11/2016 08:46 - Modificado em 24/11/2016 08:46
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venda-anbulanteO negócio informal revela-se uma fonte de sobrevivência de várias famílias chefiadas, sobretudo, por mulheres. A venda de verduras, frutas, ovos, peixe, loiças, roupas e calçados usados e até mesmo de medicamentos, enfim de tudo, nas ruas da cidade capital. O sustento das famílias depende maioritariamente deste mercado informal. Numa abordagem feita pelo NN junto dos ambulantes, apercebemo-nos do quanto é importante este meio de sobrevivência, que para a maioria, é fundamental para levar o sustento para casa.

 

Na falta de emprego e da necessidade de levar o pão de cada dia à mesa, várias mulheres chefes de família são empurradas para o sector da informalidade. Não é raro passar pelas ruas e deparar com passeios ou recantos ocupados por mulheres com as suas vendas.

Em cada recanto que se mostra propício, encontramos toda a variedade de produtos. Desde calçado, roupas, cosméticos, alimentos, ou seja, podemos encontrar de tudo e a diversos preços. O trabalho dessas mulheres e também de homens, muitas vezes é menosprezado, mas só quem vive ou viveu na pele sabe dar valor a este sector que tem ajudado muitas famílias a receber educação, a construir os seus lares e a conseguir objectivos na vida.

Em conversa com Lucrécia Mendes, chefe de família e mãe de quatro filhos, encontramos um exemplo de mulher batalhadora que diz nunca ter deixado faltar pão aos seus filhos, tudo graças aos seus “bidões”, encomenda da irmã que reside em França.

“Este é o sustento da minha família”: a venda de vestuário, perfumes, sapatos. Lú, como gosta de ser chamada, afirma que com a venda desses produtos e com a sua força de vontade conseguiu “dar escola aos seus filhos” e hoje sente-se uma mulher realizada, pois construiu a sua humilde habitação com os recursos que economizou.

Muito se pode falar desta mulher, mas ainda mais à frente encontramos Cecília Ramos sentada num “mocho” frente ao seu balaio de “drops”. Nesta paragem de autocarro onde pára Cecília ninguém mais se pode abrigar do sol, porque é o único lugar que encontrou para se esconder do sol abrasador.

“Fiquei desempregada e logo depois o meu marido veio a falecer. Sem outra solução, resolvi a minha vida catando cinco escudos em cada “drops” para poder sobreviver juntamente com os meus filhos que ainda estão a estudar”, diz a entrevistada feliz.

Questionadas sobre a insegurança de estarem a vender em locais que não oferecem qualquer tipo de segurança, as entrevistadas lamentam e dizem que “somos muitas pessoas a viver nesta situação. Não há lugar para nos acolher. O mercado do Sucupira está lotado”.

O cenário repete-se em diferentes ruas da cidade e não acontece apenas com cabo-verdianos, muitas destas pessoas são oriundas da Costa Africana e também tentam encontrar o sustento recorrendo ao mercado informal.

No centro da cidade, existe um maior controlo devido à presença da recém-criada Polícia Municipal. Contudo, nas zonas mais afastadas, não existe lugar onde não estejam três ou mais mulheres tentando levar a vida através da venda informal.

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