Confissões dum eterno amor

22/11/2016 09:12 - Modificado em 22/11/2016 15:30
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dia-dos-namoradosMuitos ainda recordam-se como eu tinha a namorada mais bela da minha escola (José Augusto Pinto) «Quanto à beleza do seu rosto nunca mulher alguma se igualou, era como visão de um sonho de ópio, uma visão aérea e enfeitiçadora, o esplendor dos seus olhos divinos chegaram a ser para mim como as estrelas gémeas de Leda.

Foi a primeira estrofe que escrevia para ela. Porém ao recebê-lo da parte de uma amiga sua, ficou feliz, e noutro dia beijou os meus lábios sedentos de amor. Entretanto acrescentara que queria namorar comigo. «Juro pela lua sagrada, que coroa de prata os cimos de todas estas árvores de fruto, que farei-te feliz minha amada.» Respondia muito deslumbrado.

Passado algum tempo, meus tormentos, meus queixumes fizeram-me cair no alcoolismo. Além disso «Guaca Mole», um bar perto da minha escola tornara-se a minha casa de perdição. A sua generosidade era tão ilimitada como o mar e tão profundo como este é também o meu amor. Mas ela soubera que no baile de finalista do meu último ano de liceu, tinha tentado assediar a minha professora.

«Oh, minha doce amada, mil vezes me perdoa.» Dizia muito arrependido e desesperado. Mas ela respondia-me que eu era um falhado e um viciado que não queria aturar para a sua vida. Acho que a vida para mim morrera naquele momento. Dizem que o amor é fumo feito de hálito dos suspiros, se alimentam, é fogo cintilante nos olhos dos amantes! Se contrariam, é um mar feito de lágrimas. Está tudo dito, meu coração gritava desesperado, coração e este cativo, lágrimas triste inundava-me o rosto. Parte dele desfeito em gosto, decerto do próprio mal me tornei amigo.

Com a sua ausência, o meu amor chegou a um tal excesso que não sei avaliar metade dos meus tesouros. Ela me fez ver que o verdadeiro amor é uma devoção cega, uma submissão completa, confiar e acreditar contra nós próprios e contra o mundo inteiro, dar o nosso coração por inteiro e a alma à quem amamos.

À partir da sua despedida que é uma tão doce tristeza, confesso que nós somos uns cem apaixonados em S. Vicente que chegamos a conhecer o verdadeiro amor. Muitos deles encontraram a paz no suicídio, outros tornaram-se mendigos e alguns não passam de bêbados e frustrados. Há meu ver são poucos que tiveram um amor correspondido e vivam uma vida sagrada pelos Deuses. Entretanto, eu tive a sorte de transformar-me num poeta bêbado e miserável.

No meu primeiro livro disse que tinha encontrado a menina dos meus olhos. Blasfémia, blasfémia, o esplendor da sua face me envergonharia do mesmo modo que a luz do dia. Pensei que era ela, uma menina de Santo Antão. Deitei-me com ela e fiquei a saber que as meninas das montanhas não nascem virgens.

Contudo no meu segundo livro muitos leitores falam da Sandra como a minha amada, priva de formosura toda a posteridade. É lindíssima e muitíssimo discreto. Como posso amá-la, se meu coração está morto. Quisera eu esquecê-la, para ficar com a Sandra, mas ela pesa na minha memória como uma falta condenável na consciência de um pecador.

«Ah Beatriz, quando pronuncia o teu nome vê uma eloquência celestial, quem me dera ter a voz do falcoeiro para fazer voltar atrás este gentil tempo perdido.

Na minha ilha o amor dos jovens não reside verdadeiramente no coração, mas sim nos olhos.

No meu próximo livro de «AMOR IMPLÁCAVEL» Falar-vos-ei de uma história de amor com a minha amada, onde serei congratulado com o prémio nobel do romantismo.

Cronica de  Ivanildo da Luz

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