Maio: Alunos pedem libertação do professor acusado de abusar sexualmente de uma aluna

21/11/2016 08:18 - Modificado em 21/11/2016 08:18

escola-horace-silvaOs alunos da Escola Horace Silva manifestaram contra a prisão do professor acusado de ter abusado sexualmente de uma aluna. O suposto agressor encontra-se em prisão preventiva desde o dia 17 do corrente mês. Os alunos pedem a libertação do professor que consideram “amigo, companheiro, pessoa que incentiva os alunos a alcançar os objectivos”.

Os alunos da Escola Secundária Horace Silva na ilha do Maio manifestaram esta sexta-feira contra a decisão do Tribunal da Comarca do Maio de aplicar prisão preventiva ao professor Filomeno, suposto agressor sexual de uma aluna menor.

Devido ao estado da vítima, as autoridades entenderam que a aluna deveria ser transferida para o ICCA – Instituto Cabo-verdiano de Menores – na cidade da Praia onde se encontra a receber cuidados psicológicos e a ser acompanhada por diferentes técnicos.

Dois homens foram constituídos arguidos tendo o professor Filomeno ficado em prisão preventiva enquanto que o outro suspeito saiu em liberdade sob Termo de Identidade e Residência.

De cartazes em punho, os alunos percorreram várias artérias da cidade, passando diante do Ministério da Educação e da Esquadra da Polícia para mostrarem a sua indignação perante a situação que consideram de “injustiça” contra um professor “amigo, companheiro, pessoa que incentiva os alunos a alcançar os objectivos”.

A aluna Deciane afirma que “não existe professor mais exemplar e amigo dos seus alunos que ele. Está sempre ao nosso lado, aconselha-nos e agora, acontece isso: de um momento para o outro destroem-se os seus sonhos, a sua vida. Por acaso, alguém questionou como é a aluna? O que ela faz? Por ser menor não significa que seja inocente nos seus actos e que não saiba nada da vida. Pensem e procurem saber das coisas antes de apontarem o dedo ao nosso professor”.

O apelo de libertação do professor deve-se ao facto dos alunos considerarem o professor inocente. Envoltos em lágrimas, os alunos pediram para ver o professor, mas tal não foi possível. Os mesmos mostraram-se disponíveis em apoiar o docente até às últimas consequências.

O caso veio à tona através de uma denúncia feita pela mãe da menor directamente à Ministra da Educação, na sequência do lançamento do Livro “Grito no Silêncio – Pedofilia, Abuso Sexual e Sociedade Cabo-verdiana”, para acusar um professor da Escola Secundária Horácio Silva de abusar sexualmente da sua filha menor. O caso remonta ao ano passado.

  1. Aldina Silva

    Enquanto existir na nossa sociedade a cultura de culpabilização da v´tima, será difícil a mudança de comportamentos.
    Neste caso não importa o comportamento da estudante menor. Espera-se que um professor tenha discernimento e bom senso, para decidir o certo, mesmo que seja alvo de tentativas por parte dos alunos.
    A culpa é sempre do agressor mormente, se este é um Professor. se os alunos não estão seguros na escola, onde estarão???

  2. Cidadaocv

    Esta manifestação é absurda, e mostra um elevado grau de inconsciência e desconhecimento das leis, e das normas morais de devem reger um estabelecimento de ensino. E os pais deviam educar melhor os seus filhos. A participação nesta “manifestação” é prova de uma falta de educação para a cidadania. Salvaguardando a presunção de inocência, até provas ao contrário, o que este “professor” fez é crime. Que a justiça seja feita, e que os jovens sejam melhor educados.

  3. Maria

    As pessoas precisam aprender a separar as coisas. Quando alguém é acusado de um crime, ninguém senão os intervenientes, ou possíveis testemunhas se as houver, sabe a verdade acerca do caso. Por isso não deve haver manifestações quanto à justiça ou injustiça; quando muito uma manifestação de simpatia. Um professor pode ser o melhor do mundo, pedagogicamente ou quanto à competência nas matérias, mas ter um problema psicológico que o leve a envolver-se com alunas menores, o que tem de ser denunciado e sancionado pelas autoridades competentes. Tem-se fechado os olhos durante muito tempo a estas situações, e já é altura de agir. Isto não quer dizer que estou a fazer um juízo acerca da inocência ou culpa do professor em questão, pois nem o conheço.

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