Uma Creperie na Salamansa: uma historia de um empreendedor

21/11/2016 08:08 - Modificado em 21/11/2016 08:08
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elvisElvis Soares da Rosa Gomes, é um jovem empreendedor que teve de pôr de lado a emigração e  regressar à sua terra natal, Cabo Verde, para investir na sua zona, Salamansa.

Elvis Soares da Rosa Gomes, jovem nascido e criado em Salamansa, teve de deixar o seu país aos 15 anos de idade porque os seus pais decidiram que ele tinha de viajar. “Eu tive de emigrar para a França com 15 anos de idade porque os meus pais assim o decidiram. Tinha acabado de concluir o 8º ano de escolaridade aqui em São Vicente e, na altura, aqui em Cabo Verde ainda não havia muitas Universidades. Na época a minha mãe disse que tínhamos de partir e eu só pude dizer que sim”, afirma Elvis Gomes.

“No início foi fácil a minha adaptação no país, visto que tinha amigos e familiares em França. Tinha viajado num período de Verão, pelo que encontrei muitas pessoas da minha comunidade, Salamansa, o que facilitou bastante a minha integração no país e também fiquei em casa da minha tia onde morava um primo que nasceu em França, pelo que me adaptei rapidamente à língua e ao país”, conta.

“De Novembro até Março entrei na escola, Classe D’Accueil, classe de aprendizagem do francês, tive uma boa aprendizagem e no fim de Março colocaram-me no colégio 5 eme. Fiz o mês de Abril, acharam que era muito fácil para mim e no mês de Maio tive de fazer um teste em português e, com base no resultado que tive colocaram-me numa classe superior: a 4 eme”.

“Em 2007, aos 17 anos de idade, ingressei no curso do Liceu Profissional, Hotelaria e Restauração, com duração de 2 anos. Passei e consegui o meu diploma como Cozinheiro”. Sucessivamente, “tive de abandonar os meus estudos, porque arranjei um filho e comecei a trabalhar num restaurante em Paris, onde havia noite cabo-verdiana aos sábados, onde vários artistas, nomeadamente a Cesária Evóra e a Lura, gravavam Cds e faziam espectáculo. O que eu pretendia estudar, acabei por adquirir na prática a nível profissional”, frisa Elvis Gomes.

“Com o passar dos anos fui evoluindo e passei a dirigir um restaurante com um cargo de gerência em determinada função… Trabalhei em vários restaurantes, nomeadamente, portugueses, franceses e em hotéis onde acabei por ganhar muita experiência”.

“Em Janeiro de 2014, o meu documento caducou, fui renovar o meu visto e não mo deram e já não conseguia ficar num país clandestinamente. Então resolvi regressar para a minha terra natal e com a ajuda dos meus familiares arranjei algum dinheiro, comprei todos os meus materiais de cozinha, mandei toda as minhas coisas e regressei para Cabo Verde em Abril de 2014… No início, quando disse a toda a minha família que ia regressar a Cabo Verde todos estavam contra e diziam-me: o que vais fazer em Cabo Verde? Cabo Verde não tem nada! E eu disse que iria tentar”.

“Com a minha chegada a Cabo Verde tive de fazer um estudo de mercado para ver o que os restaurantes vendiam cá, então resolvi trazer uma novidade ao novo país: a “Creperie”, uma forma de fazer uma alimentação rápida e acreditei que teria sucesso. Investi na minha zona, em Salamansa… No início não foi fácil abrir o meu negócio aqui devido à burocracia do nosso país, mas graças a uma ideia brilhante do meu primo, Lenine Soares, que até hoje agradeço, abri um lugar aqui na praia de Salamansa, porque aqui vêm turistas para tomar banho. Assim, decidi que seria o local ideal para abrir o meu negócio… Fui à AMP, deram-me uma licença e abri o meu negócio aqui na praia e dei o nome de “LA CREPERIE CHEZ ZOE”.

“Até hoje pago todas as minhas despesas, pago a minha licença comercial uma vez por ano, tenho o meu seguro, enfim pago todos os meus impostos… E já tenho 2 anos aqui e, graças a Deus tudo está a correr bem e todos os turista que passam por aqui ficam contentes porque aqui é um lugar aconchegante, com vista para o mar e, acrescenta, “apesar do rendimento não ser muito mais é o suficiente para sobreviver”.

“Em Janeiro deste ano o meu negócio foi publicado num livro de guia turístico,de Cabo Verde, onde colocam informações de todas as ilhas de Cabo Verde e quando chega um turista aqui ele diz que veio cá porque o meu negócio foi publicado no livro de guia turístico e, claro, fico muito contente por isso”, adiantou.

“Hoje não me arrependo de ter vindo investir na minha terra, pois estou muito satisfeito com o meu país e peço a todos os jovens de Salamansa para empreenderem agora para que mais tarde possam colher frutos… Queria dizer-lhes para seguirem o meu exemplo e de se lançarem sem medo porque Salamansa tem muito potencial”, afirma.

De acordo com Elvis Gomes, a sua especialidade não são só as crepes, mas também faz comida de terra como catchupa, moreia frita, peixe grelhado, entre outros, e diz “para os que ficaram curiosos, peço que se desloquem até Salamansa e venham saborear as minhas especialidades”.

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