Carmen Santos: “temos de denunciar o abuso sexual, quem não denuncia também violenta”

17/11/2016 08:26 - Modificado em 17/11/2016 08:26
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abuso-sexual-infantil1476873551O abuso sexual é um tema considerado complexo e em relação às crianças fica mais complicado, uma vez que estas se sentem indefesas e há sempre o medo de denunciar o agressor, explica a psicóloga Cármen Santos. Sendo um facto que origina vários problemas à vítima quer de ordem social, quer emocional e físico, a psicóloga considera que deve haver maior sensibilização, visto que muitos sabem, desconfiam e não denunciam.

 

“Temos de ser mais agressivos nesta campanha contra o abuso sexual. Temos de denunciar, quem não denuncia também violenta. Temos de sensibilizar, informar e convocar toda a sociedade a participar na luta em defesa dos direitos sexuais das crianças e adolescentes. É preciso garantir a toda a criança e adolescente o direito ao desenvolvimento da sua sexualidade de forma segura e protegida, livre do abuso e da exploração sexual”, assegura a psicóloga Cármen Santos que acrescenta que a questão do abuso infantil tem de ser bem analisada e há que haver um trabalho árduo na sensibilização, visto que os direitos das crianças são aqueles com maior importância no âmbito dos Direitos Humanos.

Por outro lado, Cármen Santos diz que “uma vítima de abuso sexual tem muita dificuldade em denunciar o seu agressor; revelará mais facilmente o abuso em si. No entanto, esta denúncia tem um grande alcance terapêutico e é necessário incentivar a quebrar o silêncio. Uma vez dito a outra pessoa, a palavra torna-se interdita e não mais interditada, como queria o agressor”. Desta forma, a psicóloga incentiva para que a sociedade esteja atenta, porque a grande maioria das mulheres ou crianças violentadas sexualmente, se resignam a permanecer vítimas por toda a vida e, por conseguinte, a calar-se por medo. Este medo poderá estar na base de muitas coisas como por exemplo, o processo judicial que muitas vezes é longo e penoso. Os interrogatórios repetidos, as perícias médicas, a vergonha de revelar a sua história diante de todos, a impressão de não lhe darem crédito, o facto de vivermos numa sociedade pequena, provocam o que se chama de vitimização secundária. Cada vez que relata a violação, cada vez que passar na rua entre vizinhos, a criança sente-se de novo violada”, esclarece a psicóloga.

Desta forma, Cármen Santos assegura que a denúncia tem um efeito terapêutico. Sendo assim, é muito importante “o apoio material e psicológico, de organismos especializados na ajuda às vítimas de abusos sexuais; é precioso neste tipo de diligências, tanto mais que o julgamento pronunciado do culpado”.

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