O Hip Hop é a única voz contestadora da sociedade actual

15/11/2016 08:26 - Modificado em 15/11/2016 08:26
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hip-hopActualmente, o Hip Hop é a verdadeira voz cidadã que, no entanto, precisa de investimento público para se manter como tal e não como entretenimento como tem vindo a acontecer. Quem o diz é o fotógrafo e cineasta César Scofield.

No último número de uma série de reportagens da RCV sobre a participação cívica e política no país, “formas de alternativas: cultura e tecnologia”, César Scofield assegura que, neste momento, esta expressão musical é a verdadeira voz cidadã de Cabo Verde. No entanto, ela também é uma forma de entretenimento.

“Muitos artistas que nascem do protesto, da luta por direitos, por espaço, por voz, acabam por se tornar entertainers. E aqui também é uma responsabilidade pública. A política pública para a arte, para a expressão, que é manter o Hip Hop na sua forma musical, na sua forma literária, expressão corporal, como uma forma genuína de protesto ou senão sob protesto de expressão e de crítica”, alerta.

Para Scofield, o activismo social não existe e os intelectuais cabo-verdianos são mudos quando se trata de problemas sociais. Este incentiva a todos que, de alguma forma, contribuíram para que Cabo Verde seja o que é hoje, para participarem criticamente na resolução dos problemas. “É preciso que as pessoas se manifestem e que se engajem nesta luta”.

De uma forma geral, o fotógrafo e cineasta afirma que as artes não têm conseguido desempenhar o papel de serem interventivas e questionadoras, porque o que existe actualmente é a cultura do entretenimento e não arte. “A arte não é festa. É um assunto que precisa de ser repensado”.

Diz ainda que a classe dos intelectuais está ausente e que não se preocupa com os problemas sociais e que a classe política não está preparada para formas alternativas de participação que são vistas como ameaça, agitação, perturbação, mexe com vários interesses, é incompreendida e não tem apoio dos intelectuais e investigadores. “Esta é uma camada social que é completamente muda, os intelectuais não falam dos problemas de si mesmos, das suas obras e ideias”.

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