Romney apanhado em vídeo a criticar metade dos contribuintes americanos

19/09/2012 01:20 - Modificado em 19/09/2012 01:20
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Durante um evento de angariação de fundos, no início deste ano, o candidato presidencial republicano Mitt Romney, disse a um grupo de abastados doadores o que ele pensava sobre quem apoia e vota no adversário democrata, e actual Presidente dos EUA, Barack Obama. Romney acusou-os de fugirem ao fisco, de viverem às custas do Estado, numa conversa gravada num vídeo que agora foi divulgado, causando a polémica do momento na campanha das eleições marcadas para 6 de Novembro.

 

“Há 47% de eleitores que vão votar no Presidente aconteça o que acontecer. São 47% que estão com ele, que dependem do Governo, que acreditam que são vítimas, que acreditam que o Governo tem a responsabilidade de cuidar deles, que têm direito a cuidados médicos, a comida, a casa, a tudo o que imaginarem, que isso são direitos adquiridos e que o Governo tem de garantir-lhes. E eles votarão no Presidente, em qualquer caso”, diz Romney, acrescentando que estas pessoas são as que “não pagam impostos”. Por isso, “o meu trabalho não é preocupar-me com essas pessoas, porque nunca irei convencê-las de que devem assumir responsabilidades e tomar conta das suas vidas”, conclui.

 

Nesta linha de raciocínio, Romney considera que a sua missão é convencer os cinco a dez por cento de eleitores independentes. Porém, nem estes escapam à crítica do candidato republicano que, num outro segmento da conversa, também gravado em vídeo e publicado num trecho à parte, se refere aos independentes dizendo que a campanha dele não foi tão dura com Obama como este tem sido com a dele porque há eleitores que ainda gostam e apoiam o adversário. “Como votaram nele [Obama], eles não querem que lhes digam que estão errados, que ele é mau, fez coisas erradas e que é corrupto”.

 

O candidato republicano já confirmou a autenticidade da gravação, Youtube feita às escondidas e disponível no Youtube. Foi revelada ao mundo, na segunda-feira, pela edição online da revista Mother Jones, uma publicação de esquerda, sediada em São Francisco, na costa Oeste. Os responsáveis da revista, cuja versão em papel tem uma circulação de 200 mil exemplares, dizem que não revelam o local nem a data da gravação, para protegerem a fonte.

 

Confrontado com a revelação do vídeo, Romney declarou, na Califórnia, que não se expressou da forma mais “elegante”. Na altura, estava a falar “de improviso”, de forma informal, “respondendo a uma questão”, frisou o homem que volta a agitar a campanha devido ao que uns consideram apenas uma gaffe, mas que do lado da campanha democrata é encarado com maior gravidade. A equipa de Obama classificou a mensagem em vídeo “chocante”, de acordo com o blogue Breitbart (conservador).

 

Entre os media conotados com a esquerda, há quem sentencie que isto vai custar a eleição de Romney. É essa a opinião de Josh Barro, recolhida pela The Atlantic, a partir de declarações feitas originalmente à agência Bloomberg. Na Atlantic sublinha-se o duplo prejuízo que episódios destes causam: “insultam desnecessariamente as pessoas que votam [em Obama]. E para além do que é dito, dá aos eleitores a ideia de que a postura pública do candidato é falsa, postiça”.

 

O diário Washington Post pôs à prova a intervenção de Romney, tentando confirmar a veracidade dos factos alegados nesta mensagem. E em matéria de impostos, chega à conclusão de que oito dos dez estados onde há mais contribuintes com pouca contribuição fiscal são “o país de Romney”, onde este candidato recolhe mais apoios que o candidato do Partido Democrata.

 

O jornal baseia-se num relatório do Tax Policy Center.

 

Uma porta-voz de Romney – que na semana passada esteve sob fogo devido ao seu “momento Lehman Brothers” – apressou-se a deitar água na fervura deste caso: “Como o [antigo] governador [do Massachusetts] tem repetido, ele está preocupado com o número crescente de pessoas dependentes do governo federal”, disse Gail Gitcho, citada pela BBC. Um argumento que não cola do lado democrata. “Será difícil servir os americanos como Presidente quando se critica com desdém metade da nação”, respondeu Jim Messina, director de campanha de Obama, numa declaração citada pelo site daquela televisão britânica.

 

 

 

 

publico.pt

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