Cabo-verdianos lamentam “falta de investigação mais séria e profunda” no caso Monte Tchota

7/11/2016 08:15 - Modificado em 7/11/2016 08:15

vitimas monte tchotaOs cabo-verdianos entrevistados pelo NN não se contentam com o desfecho do caso Monte Tchota que resultou na condenação do soldado Manuel António Silva Ribeiro “Antany”, considerado o único responsável pela morte de oito militares e três civis. Os mesmos são unânimes em considerar que o caso merecia uma outra atenção por parte das autoridades do País, defendendo “falta de uma investigação mais séria e profunda”.

 

Após seis meses do massacre do Monte Tchota, acontecimento que marcou o País de forma trágica, realizou-se o julgamento do único arguido acusado pela morte das onze vítimas. Sete dias depois, o Tribunal Militar constituído na sequência do massacre, Manuel António Silva Ribeiro “Antany” foi condenado à pena máxima de 35 anos de prisão tendo sido expulso das fileiras das Forças Armadas e ainda condenado a apagar uma indemnização de onze mil contos aos familiares das vítimas.

A forma como as autoridades investigaram o processo não satisfez os cabo-verdianos que consideraram terem ficado várias perguntas por responder. Os entrevistados acreditam que “a história foi muito mal contada” e que os responsáveis pela investigação se limitaram apenas a aceitar a confissão do soldado.

Os resultados do inquérito sobre a morte de onze pessoas no destacamento militar de Monte Tchota apontam para falhas nos procedimentos de controlo do posto. Apontam como único suspeito o soldado Manuel António Silva Ribeiro. Quanto às motivações, o relatório concluiu aquilo que o Ministro da Administração Interna concluiu poucas horas após a descoberta dos corpos: motivações pessoais. Não foi dado a conhecer a forma como as pessoas foram assassinadas e, em particular, como é que oito militares que dispunham de armas foram mortos sem poderem reagir.

Apesar de alguns entrevistados acreditarem na justiça feita de acordo com as leis do país, outros questionam a forma como foi conduzido o processo. Os entrevistados levantam as seguintes questões: como é que conseguiu matar as pessoas­­­­­? Como é que conseguiu conduzir a viatura até ao local onde veio a ser encontrado, se nem fazer uma manobra no táxi ele conseguiu? Quem o ajudou a roubar as armas? Porque é que quis matar o Comandante da 3ª Região Militar?

Crisanto Lopes, não tem dúvidas que “o processo foi muito mal conduzido” e que não houve uma investigação profunda para se chegar à verdade dos factos. “Quero crer que o caso que chocou o nosso país só não foi mais bem conduzido porque Cabo Verde não dispõe de recursos humanos e financeiros para investigar com maior seriedade, mas a história não convenceu ninguém”.

Durante a primeira sessão do julgamento que contou no colectivo de juízes do Tribunal Militar com a juíza civil Ana Reis, foram ouvidas cinco das seis testemunhas arroladas no processo em que o suspeito é acusado de 11 homicídios agravados. Porém, o homicida confesso respondeu às perguntas relativas à sua identificação, a que estava obrigado, e remeteu-se ao silêncio pedindo desculpas aos familiares das vítimas.

“A autoridade deveria ter o senso de obrigação no sentido de, pelo menos, devolver a verdade às famílias das vítimas”, salientou Vera Nascimento.

Liliana Correia vai mais longe e afirma que o desfecho do caso foi “uma fachada para enganar os cabo-verdianos. Que eles fiquem sabendo que não somos mais os ignorantes de outrora. Não há quaisquer motivos para perdoar ou não o soldado, uma vez que nunca nos disse o que aconteceu”.

O massacre de Monte Tchota fez levantar o véu sobre as fragilidades das Forças Armadas em Cabo Verde, nomeadamente sobre o estado emocional, a segurança dos militares, a comunicação e também houve acusações sobre alegados maus tratos dos militares, para além do uso de bebidas alcoólicas.

  1. João Neves

    O mistério ainda não foi desvendado.Os cabo-verdianos continuam impacientes.

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