Aumento das tarifas da água e electricidade poderá diminuir a actividade económica

4/11/2016 07:50 - Modificado em 4/11/2016 07:50

aguaO aumento das tarifas da água e electricidade corresponde a um aumento do “custo de vida” nas famílias, assegura a economista Ana Ferreira. A mesma explica que os preços altos e os salários que não correspondem a esse aumento, poderão levar à diminuição da actividade económica o que, consequentemente, se reflectirá na vida das famílias. 

 

O anúncio da subida média dos preços da electricidade e da água por parte da Electra em 10,73% e 4,40%, corresponde a um aumento de 2,32 escudos/quilowatts (kwh) e de 14,07 escudos/metro cúbico (m3), respectivamente, gerou desagrado na sociedade cabo-verdiana, uma vez que “para uma família, isto significa um aumento do “custo de vida”, tendo em conta a estagnação dos salários. Cada vez que sobe a tarifa da electricidade e da água o custo de vida aumenta, pois não só desses dois bens vivem as famílias. Elas consomem dezenas de produtos e de serviços que também sofrerão uma subida devido ao aumento das tarifas da água e da electricidade”, esclarece a economista Ana Ferreira.

Ainda há a situação de monopólio da Electra. Isto significa que “só ela tem o poder de fornecer água e electricidade. A Electra domina a oferta desses dois produtos/serviços e, consequentemente, há uma menor produtividade desses dois bens essenciais para a vida das pessoas e das empresas, além dos preços altos. O consumidor é prejudicado por ter restrições à produção e à variedade, para além de ter de pagar preços pré-determinados sem fazer pesquisas e escolher melhores produtos ou serviços”, explica a economista e professora universitária.

Por outro lado, também existe a proposta do aumento do Imposto sobre o Valor Acrescentado (IVA), que é muito importante para a receita do Estado e que permite ganhos consideráveis nas receitas públicas, isto é, contribui muito para a entrada de dinheiro nos cofres do Estado. Todavia, “é visto por muitos como um mal necessário! Embora seja um imposto indirecto porque recai indirectamente sobre os consumidores e directamente sobre bens e serviços, tem um enorme impacte no orçamento familiar, pois reflecte-se no aumento dos preços podendo até levar à inflação”, ou seja, um subida generalizada dos bens e serviços, frisa Ana Ferreira comentando o anúncio do aumento do IVA para a reconstrução da ilha de Santo Antão após os estragos das chuvas.

Contudo, muitos ficam descontentes com estas medidas e “só sabemos que nos vão meter as mãos nos bolsos”, refere Cândida e mesmo com a tarifa social que o Governo anunciou, o Presidente da Associação para a Defesa do Consumidor (ADECO), António Silva considerou tratar-se de “só conversa” do Governo e apela à regulação da própria reguladora Agência de Regulação Económica, ARE, exigindo a atribuição de “preços reais” e a não transferência dos custos de ineficiência para os consumidores.

  1. Francisco Andrade

    O povo precisa ir a rua e manifestar sobre esses abusos.
    lembrem-se que foi o povo que colocou os governantes no poder.

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