Banco de Cabo Verde revê em alta crescimento da economia para 2016

3/11/2016 08:26 - Modificado em 3/11/2016 08:26

bcvO Banco de Cabo Verde (BCV) reviu em alta as projeções de crescimento da economia cabo-verdiana para este ano, perspetivando para 2016 e 2017 um crescimento real do Produto Interno Bruto (PIB) entre 3 a 4%.

De acordo com o Relatório da Política Monetária divulgado hoje, o BCV perspetiva “um crescimento económico mais acelerado em 2016” comparativamente com as projeções do relatório de março, quando previa um crescimento entre 1,5 e 2,5%.

As novas projeções traduzem, segundo o BCV, do lado da procura, “a execução das despesas de funcionamento e a evolução mais favorável dos investimentos privados, num contexto de redução mais acentuada dos preços no consumidor, com impacto positivo no consumo privado”.

Do lado da oferta, a revisão em alta é explicada “pelo expressivo crescimento da administração pública, bem como dos impostos arrecadados nos primeiros três meses do ano, pela recuperação dos serviços de alojamento e restauração e pelo forte dinamismo do setor da construção, nos meses mais recentes”.

Para 2017, o crescimento económico deverá aproximar-se “do limite inferior do intervalo três-quatro por cento”, segundo o BCV.

Para o banco central cabo-verdiano, “não obstante a expectativa de alguma melhoria das condições no mercado de trabalho, relacionada com o aumento dos investimentos privados, antecipa-se que o contributo (positivo) do consumo privado para o crescimento seja [em 2017] inferior ao projetado para 2016”. 

Nas projeções agora divulgadas, o BCV “assume um crescimento mais contido das despesas de funcionamento, bem como uma redução dos investimentos públicos e, consequentemente, um contributo positivo menor do consumo público e um contributo negativo do investimento público para o crescimento”.

O banco central estima ainda que os investimentos externos expliquem em cerca de 80% o crescimento esperado da procura interna, estimada em 3,8 por cento, sobretudo sustentada pela “contínua implementação dos projetos de investimento externo em carteira desde 2015, no crescimento moderado do crédito bancário ao setor privado e na contínua recuperação do clima económico”.

Por outro lado, a procura externa líquida deverá contribuir negativamente para o crescimento por causa do aumento das importações.

O BCV estima que, do lado da oferta, “a recuperação do setor da construção, impulsionada por investimentos externos e domésticos residenciais, deverá sustentar em boa medida o crescimento económico”.

“Antecipa-se que os desempenhos favoráveis dos setores de alojamento e restauração, da indústria transformadora e do comércio deverão contribuir positivamente para o dinamismo da atividade económica nacional em 2017”, adianta o BCV.

Previsto está igualmente um agravamento da balança de bens e serviços em 2016 e um aumento do défice comercial em 2017, em função da dinâmica das importações.

As projeções apontam, no entanto, para que seja possível “o aumento de reservas internacionais líquidas em 19,7 e 14,8 milhões de euros, respetivamente, em 2016 e 2017”, que deverão continuar a garantir ao país “cerca de seis meses de importação de bens e serviços”. 

Para o Banco de Cabo Verde, o crédito à economia deverá crescer em torno de três por cento, tanto em 2016, como em 2017, sobretudo impulsionado pelo aumento dos empréstimos às empresas privadas e aos particulares. 

O Banco de Cabo Verde alerta que o “nível de incerteza do atual exercício de programação financeira é elevado”, sobretudo por causa da “dimensão da consolidação do orçamento do Estado, num contexto de sobre-endividamento soberano”. 

A autoridade bancária nacional defende que as informações disponíveis sobre os desenvolvimentos previstos nas contas públicas nos próximos anos “indiciam riscos” para o objetivo do Governo de estabilização da dívida pública a curto prazo e da redução a médio prazo. 

O BCV aponta também como riscos para as atuais projeções a possibilidade de “uma evolução aquém do esperado da procura externa dirigida à economia de Cabo Verde, em particular dos europeus, associada ao risco político-institucional decorrente do processo da saída do Reino Unido da União Europeia, e da não materialização de uma boa campanha agrícola em 2016”.

O Governo de Cabo Verde prevê para 2017 um crescimento económico na ordem dos 5,5% e a redução do défice das contas públicas para 3%, segundo a proposta de Orçamento de Estado, que em novembro será discutida na Assembleia Nacional.

A previsão de crescimento do Fundo Monetário Internacional (FMI) para os pequenos estados insulares como Cabo Verde é na ordem dos 3,5 %.

LUSA

  1. Cogumelo

    Ulisses Correia e Silva onde irá buscar 5-7% crescimento do PIB anual como prometido na campanha que enganou somente os incautos e aqueles com ganância do poder/alternância SEM DJOBE PA LADO? Bu cagahhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhhh, bebeco!!!!

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