Jovens questionam se é mesmo necessário estudar quando o futuro não lhes parece muito risonho

3/11/2016 08:06 - Modificado em 3/11/2016 08:06
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estudante universitarioEstar em casa no meio da semana pode parecer para muita gente um paraíso, principalmente para aqueles que já têm garantido o próprio emprego e àqueles que vivem “presos” nos seus respectivos ofícios.

Mas, para milhares de pessoas, principalmente os jovens que respondem à maior parte da taxa de desemprego no país, os minutos, as horas e os dias livres ou mesmo os anos, não têm descanso e isso vale para aqueles que pretendem encontrar o seu primeiro emprego ou que estão à procura de trabalho.

Jovens das zonas da Ribeirinha, “baixo de Jon Debra” e Craquinha, no bairro de lata, em São Vicente, reclamam que não há emprego, mas estão expectantes com a criação dos postos de trabalho prometidos pelo actual Governo aquando da campanha eleitoral. Segundo dizem, se nos próximos anos não resolverem o problema que afecta uma boa parte da sociedade cabo-verdiana, então serão eles (Governo) os culpados, já que não cumpriram as promessas.

Alguns já terminaram o 12º ano mas sem condições de continuarem os estudos, outros não passaram do Ensino Básico e outra parte ainda terminou a licenciatura e não consegue arranjar nada o que considera uma frustração e uma perda de tempo, referindo-se aos anos de licenciatura.

“Gastei dias à procura um emprego de qualquer coisa”, diz a gestora Clara Sousa de 26 anos desempregada desde que terminou a licenciatura há quase três. “Ficamos à toa e é preciso encontrar algo para fazer, caso contrário chega uma altura em que não aguentamos mais tanta frustração. E como não sou de São Vicente, a intenção é voltar para casa em Santo Antão, afirma a jovem que diz também em jeito de tristeza que não planeia “passar em terra de gente”.

Ela diz que desde que terminou o curso, gastou bastante dinheiro em papéis para os encaminhar para as empresas; fica à espera e, em parte, espera por uma resposta e às vezes ela não vem”, desabafa.

Com toda esta situação, os jovens são os que mais sofrem com a falta de vagas porque têm menos experiência.

Assim como Clara, uma multidão de jovens está-se a virar para preencher os dias. Alguns fazem pós-graduações para melhorar o currículo, outros querem trabalhar em qualquer ramo, independentemente se é ou não do curso que fez. E há ainda quem, para pagar as contas, recorra a bicos.

Seja qual for a saída, todos se dizem decepcionados com o que o país oferece a uma geração mais educada.

Há quem diga que não adianta estudar se o futuro a nível de emprego é quase incerto.

Admiro Fortes, é um daqueles que já terminou a licenciatura há 2 anos mas não recebeu o certificado porque não pagou as propinas.

Elton Lima, por seu lado, terminou os estudos secundários há 3 anos e a saída encontrada foi a de investir no seu próprio negócio. Para poder ganhar algo, abriu uma pequena barbearia na parte traseira da casa dos pais e assim consegue driblar a falta de emprego e ficar na zona sem fazer nada.

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