Alto Safende: Mãe de crianças com queimaduras graves habita numa barraca e pede ajuda

31/10/2016 07:27 - Modificado em 31/10/2016 07:27
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20161028_112236_resized_1A família de Edna Fortes é constituída pelo marido que é catador de ferro-velho e pelos seus quatro filhos menores sendo o mais novo de apenas um ano. Estas pessoas vivem praticamente na rua. A barraca onde habitam é construída de lata e madeiras velhas, um autêntico chuveiro. No interior desta barraca é possível aperceber-se de todo o movimento na rua, devido, aos enormes buracos no tecto e nas paredes laterais. A situação é ainda muito mais difícil porque há um ano, dois dos seus filhos sofreram queimaduras graves e apresentam várias sequelas que lhes dificulta o dia-a-dia. Sem outra alternativa, esta família clama por ajuda para poder sair da situação.

As despesas para com a renda da casa representam um peso enorme para o orçamento das famílias mais pobres. O preço do aluguer é uma despesa fixa que compromete a maior fatia dos recursos. Na falta de meios financeiros, as pessoas recorrem a construções improvisadas, barracas ou habitações antigas para se refugiarem. A situação torna-se preocupante: as moradias improvisadas têm vindo a crescer a um ritmo exponencial por vários bairros da cidade da Praia.

A história desta família é apenas mais uma no meio de inúmeras situações precárias em que vivem várias famílias cabo-verdianas. Edna da Veiga Fortes vive com o marido e os seus quatro filhos numa barraca em condições sub-humanas na zona de Alto Safende, cidade da Praia. Há cerca de um ano que dois dos quatro filhos, um de três e outro de onze anos, sofreram queimaduras graves e até agora sofrem com as sequelas dos ferimentos.

A entrevistada conta que no dia do acidente preparava uma refeição para os filhos. Enquanto isso, o filho mais velho que carregava irmão de três anos às costas, na tentativa de pousar no chão o chinelo do bebé, bateu com as costas no fogão tendo a criança mais nova caído dentro da panela a ferver. O menino mais velho também não escapou ileso tendo sofrido queimaduras graves na sequência de um choque eléctrico.

20161028_112302_resized_1A criança de três anos que sofreu queimaduras nas nádegas e nas pernas veio a ser internada pela segunda vez devido a uma infecção contraída em casa, isto porque não havia recursos para se deslocarem ao hospital para curativos, conforme lamenta a mãe.

Esta mãe que diz depender apenas do pouco recurso que conseguem na venda do ferro-velho, almeja um dia poder operar o filho de três anos que ainda sofre, pois não consegue sentar-se correctamente e tem dificuldades em fazer as necessidades fisiológicas devido às sequelas das queimaduras.

“Os meus dois filhos passaram por maus momentos, mas o de três anos ficou mais prejudicado. A minha maior preocupação é com ele. Sei que existem operações para estes tipos de cicatrizes. Espero um dia poder encontrar condições para o operar”.

Uma outra preocupação desta mãe é conseguir uma habitação condigna para os seus filhos. Há vários anos que, desesperada, procura apoio a fim de conseguir construir uma habitação, podendo assim agasalhar os filhos e protegê-los da chuva, do sol e da geada.

“Todos os dias peço a Deus que me ajude a conseguir uma casa. Todos os anos, na época das chuvas, fico afrontada com a água dentro de casa”. Questionada pela forma como tem sobrevivido, Edna conta entristecida que o filho mais velho vive no interior e os outros três vivem com ela, mas a situação tem sido bastante complicada. “Não trabalho, o meu marido é pedreiro mas o trabalho tem sido escasso, por isso, é no ferro-velho que recolhe das ruas e vende que obtemos o pouco sustento para irmos comendo mas, muitas vezes, falta comida para os nossos filhos”.

A família de Edna tem vindo a contar com a ajuda de vizinhos de boa vontade que quando podem levam-lhes comida, vestuários e na época das chuvas solidarizam-se e dão abrigo. Esta mãe que se diz sentir-se envergonhada pelo facto de estar a depender dos outros, apesar das suas limitadas habilitações, sonha um dia poder trabalhar e conseguir o sustento para os filhos”.

É numa barraca construída de latas e madeiras velhas com três minúsculos compartimentos e esburacada que vive esta família constituída por cinco membros, três dos quais são menores, incluído uma criança de apenas um ano.

Apesar das políticas de habitação, ainda encontramos várias famílias a viver em condições sub-humanas. Moradias que são autênticas armadilhas e que colocam em risco de vida as pessoas que ali vivem. A situação em que vive esta família em condições desumanas sensibilizou os membros do Movimento Safendetudora que, graças a uma iniciativa solidária, conseguiram, através da Câmara Municipal, um terreno para a construção de uma habitação para abrigar esta família.

Desempregada, sem qualquer apoio, Edna diz ser muito difícil alcançar estes objectivos, por isso, apela à solidariedade das pessoas e das autoridades competentes no sentido de poder construir a habitação e conseguir a operação para as grandes cicatrizes do filho na sequência das queimaduras.

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