Monte Tchota: populares não acreditam na versão oficial, dizem que a história esta mal contada

28/10/2016 06:51 - Modificado em 28/10/2016 06:51
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monte tchotaO julgamento do soldado que assassinou onze pessoas, sendo oito militares e três civis no passado dia 25 de Abril no destacamento Monte Tchota, veio reacender a dor dos familiares e da sociedade cabo-verdiana. O caso que abalou o país veio trazer muita comoção à sociedade que ainda tem presente na mente a dor sofrida. Volvidos seis meses, os cabo-verdianos ainda aguardam pela verdade, pois os factos, no seu entender, não foram bem esclarecidos.

 

Não se fala noutro assunto: o julgamento do soldado conhecido por “Antany”, único suspeito da morte das onze pessoas no Destacamento de Monte Tchota. Curiosos e entristecidos, os entrevistados mostram-se incrédulos na base militar  questionam a falta de respostas e de verdade por parte das autoridades competentes.

A dor voltou, mas os entrevistados não deixaram de mostrar a sua solidariedade aos familiares e amigos das vítimas. A Nação inteira foi ferida no seu âmago. Carla Semedo, defende haver ainda muitas coisas a dizer sobre o caso que abalou o país. “As explicações dadas até agora não nos satisfazem. Foi uma história muito mal contada, sem pés nem cabeça. Exigimos uma real explicação”.

António Silva que disse ter assistido à audiência do julgamento, defende uma maior preparação das Forças Armadas e do próprio Tribunal Militar. Reconhecendo as fragilidades do país e ciente do recém-criado Tribunal Militar, o entrevistado considera que deveria haver uma maior profundidade em esmiuçar os factos. “ Foi muito superficial”.

Foram onze as vítimas com idades compreendidas entre os 20 e os 51 anos no trágico acontecimento que abalou a sociedade cabo-verdiana. Motivos pessoais poderão estar por de trás da tragédia. Os entrevistados que lamentam o sucedido apelam para que justiça seja feita.

O massacre de Monte Tchota fez levantar o véu sobre as fragilidades das Forças Armadas em Cabo Verde, nomeadamente sobre o estado emocional, a segurança dos militares, a comunicação e também houve acusações sobre alegados maus tratos dos militares, para além do uso de bebidas alcoólicas.

Neste sentido, o CEMFA assegura que “quanto aos alegados maus tratos, existe a preocupação em se cumprir “escrupulosamente”, as normas do regulamento de disciplina militar” e sobre o uso do álcool e de outros estupefacientes no destacamento de Monte Tchota, Anildo Morais garantiu que “não constitui um fenómeno generalizado”, e remete para casos “esporádicos” de uso que têm merecido o devido acompanhamento e tratamento.

Anildo Morais afirmou que há indicações para que sejam reavaliadas as normas militares sobre a actuação e o acompanhamento efectivo de possíveis casos de instabilidade emocional ou psicológica entre os militares.

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