Julgamento caso Monte Tchota: as dúvidas ficaram todas por esclarecer

27/10/2016 17:05 - Modificado em 27/10/2016 17:05


Massacre Monte Tchota3O único arguido no processo do massacre em Monte Tchota, António Manuel Ribeiro, preferiu utilizar do silêncio em vez de explicar o crime assumido durante as instruções. Até o final do julgamento “Antany” não pronunciou qualquer palavra. Questionado pelo Tribunal proferiu “não tenho nada a declarar em minha defesa, apenas peço desculpas a nação e aos familiares das vítimas.”

O Ministério Publico considerou os factos provados e que o arguido agiu em pleno gozo das suas faculdades premeditando os crimes e que teve tempo para desistir mas não o fez ceifando a vida de onze pessoas. Diante das provas produzidas o representante do Ministério Publico pediu que o arguido seja condenado a pena máxima e adicionando ainda penas acessórias. A leitura da sentença ficou marcada para o dia 03 pelas 15 horas.

O soldado acusado de ter assassinado onze pessoas no destacamento militar do Monte Tchota, no dia 25 de Abril deste ano na ilha de Santiago foi presente esta quinta-feira ao Juiz do Tribunal Militar na Terceira Região Militar, de onde não saiu calado porque já no final da audiência resolveu pedir desculpas a nação e aos familiares das vitimas.

Estiveram seis testemunhas arroladas no processo entre as quais o taxista que acabou por confirmar detalhadamente o que teria acontecido, após o arguido ter entrado de surpresa dentro do táxi e de o ter obrigado a conduzir pelas artérias da cidade da Praia.

. Uma vez ouvida as testemunhas que acabaram por confirmar os factos anunciados, o Ministério Público considerou o réu culpado de todos os crimes e de os ter planeado. A acusação considerou que o acusado estava em pleno poder das suas faculdades mentais e premeditou os crimes, tendo inclusive dito ao comandante do posto militar, onde era soldado, que se “lhe entregassem uma arma os mataria a todos”. Como se sabe fez o que prometeu.

O tenente Júlio Monteiro que assegurou defesa do arguido pediu atenuação da pena tendo em conta o bom comportamento e disciplina do militar, valorizando a vida “conturbada, turbulenta” que viveu durante a infância.

De acordo com as investigações do NN o massacre terá acontecido por volta das 10 horas de segunda-feira e que as autoridades só terão tido conhecimento 24 horas depois. E que a descoberta ficou-se a dever a insistência do hotel e do responsável da quinta da Montanha em saber do paradeiro das pessoas que estavam ali hospedadas.

Informações prestadas pelo guarda na casa da presidência da república dão conta que ouviu tiros por volta das 10 horas da manhã de segunda-feira,  25. E que teria avistado na segunda-feira de manhã um carro  de cor branca a passar a toda a velocidade.

Ainda o responsável da residência Quinta da Montanha terá ligado na terça-feira de manhã para o guarda da residência do PR para informar se este sabia do paradeiro de três técnicos que tinham ido no dia anterior fazer um trabalho no destacamento.

Os corpos só vieram a ser descobertos após a chegada dos técnicos da CVTelecom  que se deslocaram ao destacamento a fim de fazer levantamento de risco do edifico solicitado pela IMPAR.

A testemunha, Davilson Alves, primo do arguido alegou que Antany teria deslocado a sua casa por volta das 7h30 de manhã e lhe disse que com o recurso a pistola AKM teria morto colegas no destacamento e que com uma faca tinha morto o cozinheiro que estava de serviço, seguidamente iria matar o padrasto, isto porque as vítimas teriam abusado dele.

Segundo as nossas investigações a origem do caso esteve um desentendimento entre o soldado e um colega, que culminou com um confronto físico, donde saiu derrotado, ficando no posto de serviço em vez de outro, tendo sido alvo de gozo por parte dos restantes colegas. Considerou-se injustiçado e “ameaçou matar a todos, ameaça que não foi levada a sério pelos demais”.

O suspeito confesso encontra-se se detido no Tribunal Militar aguardando o desfecho do caso que devera acontecer no dia 03 de Novembro.

  1. JOAO

    António Manuel Ribeiro foi intimidado para não falar no tribunal. FICOU MUITA POR DESVENDAR.

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