Praia: Vendedeiras ambulantes acusam Guardas Municipais de “abuso de poder”

27/10/2016 08:29 - Modificado em 27/10/2016 09:28
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vendedeirasOs desentendimentos entre as mulheres que vendem nas ruas da cidade da Praia e os Guardas Municipais têm sido frequentes e acompanhados, muitas vezes, de conflitos seguidos de violência física. A actuação dos Guardas Municipais tem vindo a indignar as vendedeiras ambulantes que acusam os agentes de “abuso de poder”.

 

A criação da Guarda Municipal foi uma medida adoptada em Dezembro de 2010 pela Câmara da Praia, no sentido de assegurar a limpeza e a organização da cidade. Contudo, as vendedeiras dizem-se indignadas com a forma como os agentes têm vindo a actuar.

No passado dia 25, no mercado do Plateau, agentes da Guarda Municipal entraram, mais uma vez, em conflito com as vendedeiras. Em causa está a ocupação dos passeios impedindo a circulação das pessoas e das viaturas.

Segundo conta Antonita, uma testemunha ocular, as vendedeiras em causa recusaram-se a acatar as ordens dos agentes, por isso, os mesmos apreenderam as mercadorias. Descontentes, algumas das vendedeiras resolveram impedir que os guardas levassem os produtos.

Conforme conta, o momento foi de grande tensão e agressão física entre os agentes e as vendedeiras que terminou na detenção de algumas vendedeiras. Maria Lopes, vendedeira ambulante, avançou ao NN que tem sofrido bastante nas mãos dos Guardas Municipais, isto só porque tentam vender os seus produtos para conseguirem o sustento dos filhos.

“Os guardas têm os seus salários e abusam dos coitados que labutam para levarem o pão à mesa. Retiram os nossos produtos que conseguimos com bastante esforço, muitas vezes fiamos a venda para depois devolvermos o dinheiro, mas os reis acham-se no direito de tirar aos nossos filhos o pão da boca”, relata a vendedeira indignada com a situação.

Paulina que acusa também os guardas de abuso de poder, acredita que o problema poderia ser resolvido se todas as vendedeiras tivessem direito a um espaço para comercializar os seus produtos, por isso, “enquanto não houver alternativas, haverá sempre mulheres nas ruas a procurarem o sustento para os filhos”.

As mulheres que se encontravam diante do Palácio de Justiça em solidariedade com as vendedeiras detidas clamam por justiça. Ida, acredita que a agressão física não faz parte do trabalho dos guardas, por isso, devem pagar pelos seus actos.

Ainda no Palácio de Justiça, um Guarda Municipal que assistia à indignação das vendedeiras frente ao Tribunal, defendeu a necessidade de impor a ordem e a obediência por parte das vendedeiras no sentido de facilitarem o trabalho a ambos. O mesmo lamenta a situação que considera de “muito tensa” e apela por uma maior compreensão por parte das vendedeiras.

“Temos sido vítimas de violência física e de ameaças por parte das vendedeiras isto porque queremos pôr ordem na cidade fazendo o nosso trabalho dentro da legalidade, mas as mesmas insistem em ficar nas ruas. Muitas vezes criam situações de perigo tanto para os peões como para as viaturas e para elas mesmas”.

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