Glaciar na Antártida derrete mais rapidamente do que o previsto

26/10/2016 08:17 - Modificado em 26/10/2016 08:40
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antartidaUm grande glaciar no oeste da Antártida perdeu mais de meio quilómetro de espessura em sete anos, derretendo mais rapidamente do que os cientistas pensaram ser possível, de acordo com um estudo divulgado na segunda-feira.

O Glaciar Smith, a derramar no Mar de Amundsen, perdeu mais de 70 metros por ano entre 2002 e 2009, segundo o estudo, baseado em dados recolhidos pela NASA durante observações aéreas.

“Se tivesse usado dados de apenas um instrumento, não teria acreditado no que estava a ver”, disse o autor principal, Ala Khazender, investigador no “Jet Propulsion Laboratory” da NASA.

Radares com capacidade para penetrar o gelo e tecnologia laser obtiveram o mesmo resultado, relatou na “Nature Communications”.

Após 2009, o Smith continuou a perder massa, embora a um ritmo ligeiramente mais lento, disse Khazendar à agência France Presse.

Estudos anteriores com recurso a técnicas menos precisas, indicaram que duas plataformas de gelo que sustêm o glaciar perderam cerca de 12 metros em espessura em cada ano, durante o mesmo período.

A barreira oceânica de glaciares é constituída por densos blocos de gelo que se deslocam de terra, puxados pela gravidade e pelo seu próprio peso para o mar.

Grandes plataformas de gelo, com mais de dois quilómetros, flutuam na água.

Os glaciares do Oeste da Antártida e de Gronelândia têm capacidade para fazer subir o nível do mar em vários metros, submergindo cidades e deltas de rios onde vivem centenas de milhões de pessoas.

Mas a localização exata e a velocidade a que o gelo se desloca está em debate.

As dinâmicas de movimento — e como podem variar de um glaciar para outro — ainda continuam pouco entendidas.

As descobertas fornecem novas evidências de que o aquecimento da água do mar está a surtir efeitos sob alguns glaciares da Antártida, especialmente nos limites em que se encontram com o Oceano, mais depressa do que antes, afirmou o especialista.

Mas também mostram que os blocos de gelo têm cada um o seu perfil.

Durante o período 2002-2009, por exemplo, os glaciares Pope e Kohler — em ambos os lados do Smith — manifestaram comportamentos diferentes, ao recuar mais lentamente, no primeiro caso, e avançar um pouco, no segundo.

“Os glaciares na mesma área podem ter comportamentos diferentes”, acrescentou Khazendar.

“A interação de fatores é complexa, ainda temos muito para apender”, admitiu o investigador.

jn.pt

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