Nardi Sousa: “os actores estão a falhar na luta contra a criminalidade”

24/10/2016 07:41 - Modificado em 24/10/2016 07:41
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nardi-sousa-2O debate sobre o estado da justiça vai estar no Parlamento a partir desta segunda-feira. Como da praxe, as bancadas parlamentares realizaram visitas a várias instituições ligadas à justiça para se inteirarem da situação e fundamentarem as próprias posições no debate. Uma perspectiva sobre a situação actual da justiça em Cabo Verde é dada pelo sociólogo, Nardi Sousa, em entrevista à Agência Lusa.

O mesmo declara que os delinquentes e criminosos são produtos da sociedade. E releva, acrescentando, que a mesma energia para criar algo de negativo pode ser canalizada para criar coisas positivas, transformando “mentes potencialmente criminosas” em “mentes saudáveis e pacíficas”. Para Nadir, o país vive “uma profunda crise social” e os actores estão a falhar no combate à criminalidade.

“É preciso ver que tipo de políticas públicas têm sido tomadas para enfrentar esta questão”. Para Nadir, a criminalidade não se justifica com a pobreza, mas sim com a crise de valores existentes em Cabo Verde e pede alternativas nos bairros, quando os jovens só têm acesso a drogas e armas.  

Os responsáveis realçam que os políticos têm de dar o exemplo e investir nos bairros. “Imagina que sou um gestor público e desvio milhares de contos que poderiam ser usados para reforçar o trabalho social nos bairros, apoiar associações que já deram provas de fazerem coisas positivas nos respectivos bairros. Se sou um corrupto e desvio esta verba, por exemplo, dos bairros, eu estou a praticar indirectamente violência”, salienta.

Ainda sobre o poder político, é peremptório quando afirma que “o Estado tem de acabar com a injustiça social e criar políticas públicas para evitar problemas de delinquência, mantendo os jovens a estudar, apoiar as associações e instituições que têm projectos saudáveis nos bairros, envolver universidades para resolver esses problemas”.

Acrescenta ainda que “é preciso rever o papel de todos os actores sociais e canalizar o financiamento para zonas com problemas sociais”, relembrado que Cabo Verde é um país frágil a nível de segurança e, por isso, não se deve adormecer perante o tema.

Segundo o relatório anual do Ministério Público sobre o estado da justiça, a criminalidade aumentou de 6,7 por cento, registando-se 120 homicídios de 1 de Agosto de 2015 a 31 de Julho de 2016, aos quais se juntam 504 crimes sexuais e mais de treze mil crimes contra o património. “Os jovens só procuram tirar o prazer e não devolvem à sociedade nada daquilo que recebem. Temos um modelo de sociedade de vida boa e não uma sociedade boa e temos falta de investimentos em zonas urbanas densamente povoadas e com necessidades”, conclui.

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