Santo Antão: Agricultores abandonam as terras devido ao custo elevado da água

21/10/2016 08:10 - Modificado em 21/10/2016 08:10

agriculturaAlguns agricultores da zona de Poio, no interior do Porto Novo, Santo Antão, abandonaram as suas parcelas de terra devido ao custo elevado da água para a irrigação produzida a partir de um furo.

 

O sistema de bombagem do furo de Poio que até Julho funcionou com base num motor, foi ligado à rede pública gerida pela Empresa de Electricidade e Água (Electra) o que encareceu, de “forma exorbitante”, o preço da água para a aflição dos agricultores, assegura o Presidente da Associação de Desenvolvimento da Ribeira dos Bodes, Jailson Monteiro. Este, em entrevista à Inforpress, adianta que com a ligação à rede pública, foram incluídas várias taxas, entre as quais a taxa da RTC, nas facturas emitidas pela Electra que tornaram ainda mais caros os custos de produção da água para a rega.

“Os agricultores de Poio da Ribeira dos Bodes não conseguem suportar o custo elevado da energia eléctrica, visto que agora pagam 855 escudos por cada hora de bombagem, em vez de 628 escudos quando o furo funcionava através de um motor”, esclarece Jailson Monteiro que afirma que o valor é insuportável para os agricultores que já estão a abandonar parcelas de terra por não conseguirem suportar os custos da actividade agrícola.

Perante este facto, Monteiro acrescenta que já pediram um equipamento de furo com painéis solares para os agricultores de Poio. Todavia, nas outras localidades, os agricultores reivindicam o acesso ao mesmo sistema, nomeadamente nas zonas de Manuel Lopes, Chã de Mato e Ribeira Fria. Contudo, o Delegado do Ministério da Agricultura e Ambiente (MAA) no Porto Novo, Joel Barros, afirma que estas reclamações estão equacionadas e adianta que em Chã de Mato, o furo estará equipado com painéis solares até Novembro no quadro do projecto sobre mudanças climáticas.

  1. Adriano Silva

    Durante muito tempo neste espaço criticamos a opção do anterior governo em promover a captação da água sem olhar a custos do metro cúbico. Por outro lado a exploração dos furos depende da recarga dos aquíferos. Uma sobre exploração pode levar á penetração da água salgada ou á seca do furo. Também, um furo só se justifica se o caudal por hora tiver um certo volume. Os painéis solares têm uma manutenção exigente e avarias. Para além, dos custos dos acumuladores. Por todo este Cabo Verde e durante os últimos 10 anos associou-se a mobilização de água para rega como avanço da agricultura. A coisa não é assim. Há que olhar aos custos. Repetimos. QUEM IRÁ PAGAR O EMPRÉSTIMO DAS BARRAGENS OU VAI-SDE AUMENTAR O IVA PARA O EFEITO, QUANDO CHEGAR A HORA ?

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