Aumento das tarifas: quando é necessário fazer contas

19/10/2016 08:13 - Modificado em 19/10/2016 08:13

contasO aumento das tarifas da energia e da água não tem deixado as pessoas satisfeitas. A ADECO, Associação de Defesa dos Consumidores, posicionou-se contra o aumento. O PAICV, no balanço do Conselho Nacional, afirma que vai fazer uma oposição democrática supervisionando as atitudes do Governo com as quais não concorda, como por exemplo, o aumento do preço da energia e da água. O Ministro da Economia assumiu que os preços da energia e da água são elevados no país dificultando grandemente a economia.

 

Apesar das posições contra, o aumento da tarifa prevalece e é a população quem vai estar de calculadora nas mãos para fazer as contas e, de uma forma ou de outra, é ela quem terá de pagar as facturas. O serviço prestado pela empresa de produção e distribuição de energia e água, Electra, e o total das facturas representam “o desgosto das pessoas”.

“Sendo a única empresa de água e energia que nós temos, não temos escolha”, sublinha o cidadão Carlos Semedo que diz não gostar nada do serviço prestado. Confessa que em sua casa tem tido o cuidado de manter os gastos de energia sob controlo, mas que “todos os meses é uma surpresa porque não sabe o que vai encontrar na factura”.

A água é o serviço que se pode controlar melhor, já que as pessoas podem controlar a quantidade pretendida. O mesmo já não acontece com a energia. E com o aumento das tarifas o controlo vai ser mais apertado.

“É melhor apagar a luz aqui do que ir pagar lá em baixo na Electra”, é o lema adoptado por Antónia Delgado, demonstrando a sua preocupação com os gastos de energia. Ela acrescenta que por mais controlo que faça o valor das facturas quase nunca descem. Apesar de ter ouvido que as tarifas tinham diminuído em Abril passado, “nunca senti a mudança”.

Agora, com a calculadora na mão, diz que procura deixar a factura abaixo dos quatro mil escudos, mas é sempre difícil conseguir alcançar a meta. Com a nova tarifa, o preço por quilowatts aumentou de 2,32 escudos. O que para Antónia pode parecer pouco mas, no final das contas sempre vai ser mais. Se pagava quatro mil escudos por mês, no próximo mês as contas apontam para um aumento de cerca de mil e quinhentos escudos na factura.

Em conversas com Rogério Duarte, o mesmo afirma que em sua casa não há muitos electrodomésticos e que, mesmo assim, o consumo fica à volta dos dois mil escudos, mas as contas bem-feitas vão obrigá-lo, juntamente com a família, a pagar cerca de três mil escudos. Sente que o aumento é excessivo quando a “vida não está fácil, com pouco trabalho e pouco dinheiro”.

No escalão, para ter a cobrança mínima de vinte e quatro escudos, o consumo tem de ser até 60 quilowatts. Mas, com um pequeno consumo a mais, 61 quilowatts, o preço já ascende para os mil novecentos e cinquenta e dois escudos. Uma reclamação para a dificuldade de manter o consumo no mínimo quando se “precisa de energia para tudo o que se faz”, reitera Isa Neves.

A reclamação é que se paga muito e o serviço prestado pela Electra é alvo de muitas reclamações. Como a energia e a água fazem parte do dia-a-dia das pessoas e “com os problemas financeiros que as pessoas têm, os preços das facturas só condicionam as pessoas porque pode-se tudo menos deixar de pagar a Electra”.

Com a situação das pessoas, o repto é fazer de tudo para poupar energia e água. Por outras palavras, é “melhor apagar a luz em casa, do que ir pagá-la na Electra”.

  1. JOAO

    O PAICV tem legitimidade na qualidade de oposição, para criticar de forma construtiva, tudo o que condiciona as condições de vida das populações. Mas em Cabo Verde a verdade é esta: Sem querer defender o MPD (poder), os Partidos só vejam as coisas más quando estão na oposição. Estando no Governo tornam-se “cegos”. A população cabo-verdiana sofreu tanto com o PAICV no governo durante 15 anos, exceptuando os militantes mais próximos. Hoje, o MPD é governo mas as coisas parecem também complicadas. Só o futuro dirá.

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