Segurança: o beijo do ministro na bela adormecida

10/10/2016 08:13 - Modificado em 10/10/2016 08:13
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inseguranca-publicaDurante a campanha eleitoral, o Mpd conseguiu mostrar que o País estava em estado de coma, qual bela adormecida, em particular, a economia e a segurança. Os eleitores concordaram. Nós também. Apenas o PAICV, com JHA a defender o legado de JMN não quis ver isso, ou melhor, não aceitou que a bela estava adormecida. Não por praga da bruxa má, mas devido a medidas ineficazes tomadas, em particular, no último mandato de JMN.

 

Na área da segurança, as medidas de pendor unicamente repressivo tomadas após o atentado contra o filho do Primeiro-ministro não tiverem o efeito pretendido. E, nas nossas comunidades, a criminalidade continuou a sua curva ascendente. As crianças são violadas dentro das suas casas ou nas casas dos vizinhos sem que ninguém as proteja dos seus protectores,  as mulheres são estupradas na rua, nos becos e em casa a violência doméstica reduz as nossas mulheres quase à condição das nossas trisavós bantus estupradas, violadas, escravizadas pela ralé que os portugueses mandaram para aqui. Mas, nas nossas comunidades, mata-se por dá cá aquela palha – grogues a mais, raiva a mais. Mata-se e pronto!

Os números e a retórica dos governantes  não conseguem  traduzir a dor, as lágrimas das vítimas dessa violência que atingiu estas belas ilhas. E é dentro desse quadro que após sete meses, o Governo do MpD anuncia as medidas para combater a criminalidade. Retirar o País do coma induzido. Da minha parte, esperava mais do que o Ministro da Administração Interna no papel de príncipe que, com um beijo, desperta a bela adormecida do sono profundo. Ou seja, com um toque de magia em forma de  “reforço extraordinário de meios operacionais para a Polícia Nacional, Polícia Judiciária e Serviços Prisionais”. Um valor que será canalizado para a aquisição de “equipamentos de segurança e de meios de mobilidade”, a implementação dos projectos ‘Cidade Segura’ e do número único nacional para a comunicação de emergências (112). Aprovar as normas gerais de funcionamento de bares, locais de diversão e actividades recreativas, com o objectivo de uniformizar “posturas municipais no que se refere a horários, ocupação de espaços públicos e proibição de determinadas actividades na proximidade de certos locais”. E assim, o problema fica resolvido? Os outros governos não tentaram a via repressiva: mais polícias, mais meios, mais armas? Como se evita que um pai, um tio, um padrasto, viole a criança que está à sua guarda? Que uma mulher seja estuprada só porque um imbecil acha que a sua roupa é provocante ou porque está bêbado? Que um militar pegue numa arma e mate onze inocentes? Que se mate a mãe de uma Inspectora da PJ que não tem nada a ver com o trabalho que a filha faz? Que se tente matar o filho do  Primeiro-ministro por motivos até hoje desconhecidos? Como se evita essa barbárie? Parece  que o #beijo do Ministro na bela adormecida# , o toque de magia é pouco e redundará nos proclamas de JMN que não passavam de propaganda e de retórica. O Governo tem de ir mais longe e olhar para o fim das medidas anunciadas e que passaram despercebidas, onde se anuncia a aprovação dos termos de referência para a elaboração do Programa Nacional de Segurança Interna e Cidadania que deverá “actuar sobre as raízes socioculturais do crime, articulando acções de segurança pública com políticas de inclusão social”. Parece pouco e fácil, mas quando se olhar  para as raízes socioculturais do crime, vai-se encontrar, por exemplo, que cerca de 60 a 70% dos crimes são cometidos com os seus autores sob o efeito do álcool. A pólvora que incendeia a violência doméstica é o álcool. A desestruturação das famílias devido à pobreza e exclusão social, leva ao crime e transforma os lares em campos de batalha onde o mais fraco perde sempre.

Estamos de acordo que são precisos mais polícias, mais armas, mais meios repressivos que só por si nunca resolverão os problemas da criminalidade. Mas é preciso actuar sobre as raízes socioculturais do crime e já! É preciso tentar de uma forma séria e continuada. É preciso acreditar que a solução passa, essencialmente, por essa mudança de postura na abordagem das causas do crime. É preciso actuar com as armas da educação, da inclusão social e, sobretudo, do emprego, porque a criminalidade dita violenta é residual. É verdade que cada um tem o livre arbítrio de escolher entre o bem e o mal. O dilema principal da vida  não tem a ver com o dilema de Shakespeare ser ou não ser. Tem a ver com as escolhas que fazemos e que determinam o que queremos ser. E escolher, implica conhecimento, saber. Educação. Ter opções. O pior dos pecados não é matar ; E a ignorância. Não saber escolher entre o bem e o mal. Mas, mesmo assim, não estamos livres de escolher o mal. Eva e Adão foram avisados  por Deus das consequências de comerem a maçã. Tinham conhecimento e, mesmo assim, comeram a maçã. Nós todos estamos avisados sobre as consequências do falhanço das medidas para combater a criminalidade e o Governo sabe que não deve persistir no erro do Governo anterior. Está avisado!!!

 

Eduino Santos

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