Trabalhadores do ‘ASemana’ com cinco meses de salários em atraso ameaçam “cruzar os braços”

7/10/2016 08:07 - Modificado em 7/10/2016 08:07

sem-ordenadoOs trabalhadores do jornal ‘ASemana’ estão com cinco meses de salários em atraso e em carta dirigida ao administrador Álvaro Dantas pedem “uma definição clara sobre os caminhos que o jornal vai seguir, tendo em conta que estamos a ‘navegar à vista’.

 

Pedimos igualmente um posicionamento claro sobre o pagamento dos salários em atraso, com a especificação de datas. Sem isso, e estamos a ser claros, os trabalhadores reservam-se no direito de também eles cruzarem os braços. Já não há espaço para mais sacrifícios”. Por outro lado, avisam a direcção de que “Já não há espaço para mais sacrifícios. Está em causa a nossa sobrevivência e a das nossas famílias, pelo que nos sentimos no direito de avançar com outras formas de luta para exigir o cumprimento dos deveres e obrigações da empresa”.

Isto porque ainda de acordo com a carta a que tivemos acesso e a declarações não gravadas ,devido ao pedido de anonimato que respeitamos de dois jornalistas desse jornal, a situação arrasta-se há mais de um ano. “Em Outubro de 2015, depois de meses de incerteza, reunimo-nos com a ‘recém-criada’ direcção do Jornal, após meses de indecisão. Foram-nos incutidas novas esperanças e prometida a resolução rápida dos problemas com que nos vínhamos debatendo, no caso, um atraso salarial de cerca de dois meses.

Em troca, comprometemo-nos a trabalhar para levantar esse ‘nosso’ jornal, que se encontrava em rota descendente por falta de uma direcção presente, tendo em conta que a então directora, Filomena Silva, estava doente e internada no hospital”. Os trabalhadores dizem que cumpriram com a sua parte e “O jornal voltou a ganhar notoriedade e a conquistar a confiança dos leitores”, mas que da parte da direcção, foi um acumular de frustrações. Nunca os salários foram pagos atempadamente. E os atrasos só foram aumentando, tendo agora atingido quase cinco meses de ordenados acumulados. Esta situação leva os trabalhadores a questionarem: “Tendo em conta que a maioria é chefe de família, a pergunta que se põe é como honrar os compromissos mais básicos, nomeadamente com a alimentação e saúde dos nossos filhos? Como enviar os nossos filhos à escola sem recursos? Da parte da direcção do jornal, se no campo teórico encontramos solidariedade e uma alegada compreensão, na prática não se traduziram em respostas. Ao contrário, foi um acumular de promessas que não se concretizaram”.

Com isso, as esperanças dos trabalhadores foram-se esmorecendo e hoje mais parecemos um “bando de pedintes” que, todas as semanas, fica à espera de um sinal positivo, que não chega.

O Presidente do Conselho de Administração do ‘ASemana’ contactado por este online e confrontado com o teor da carta não confirmou as informações contidas na referida carta.

  1. Filhomeno Costa

    Há muito tempo, mesmo muito tempo que o PAICV deixou de se interessar em contribuir para a formação da opinião dos caboverdianos. Rendeu-se ao mercantilismo dos mídia e converteu a Semana numa mercearia de notícias djugutando por qualquer lixo sensacionalista que aparecesse – lembram-se dos “terroristas” de Monte Txota ou das diatribes de um judeu israelita contra africanos acolhido nas suas páginas?
    O PAICV concentrou-se em garantir lugares e posições para os rapazes e meninas do serralho e pôs de lado qualquer esforço de pensar o país e o seu futuro em termos de escolhas de caminhos. Arrastado pela corrente neoliberal, subserviente para com os valores importados – igualzinhos aos do MPD – enterrou o seu próprio passado. Entre um neoliberalismo envergonhado e um neoliberalismo assumido o povo escolheu o mais autêntico e mandou o PAICV passear.
    Com o desorientamento que se instalou o futuro de iniciativas como a Semana é muito negro. Se os trabalhadores da Semana têm esperanças de que realmente o PAICV se vai empenhar na manutenção do jornal podem vir a ter uma grande desilusão. Talvez tenham a sorte de aparecer alguma igreja evangélica para comprar o jornal, tal como aconteceu com a Rádio Comercial, outra iniciativa de antigos militantes do PAICV.
    Ah PAICV, quem te viu e quem te vê!

  2. Silva

    Há cerca de 2 anos que deixei de comprar o Jornal A Semana e numa banca onde eu comprava, dos 100 assíduos, a fidelidade para com o jornal passou para nem mais nem menos que 20 leitores. E de uma centena passaram a entregar 20 jornais por semana e muitas vezes com atraso de 2 a 3 dias da data da edição (todas as sextas feiras, com uma absurda interrupção por férias colectivas no mês de Agosto). Como podem os Jornalistas terem o seu salário em dias? O A Semana, jornal outrora de alta notoriedade, foi transformada, ainda no reinado da toda-poderosa, omnisciente, omnipresente e arrogante Filomena Silva (desculpas por dizer a verdade, respeito pela pessoa de Filomena Silva, em tratamento de saúde – rápidas melhoras!). Na verdade, o A Semana transformou-se num Jornal de fofocas, com a perda do seu principal ativo humano, o Jornalista José Vicente Lopes e, diz-se na praça, por ficar farto de engolir sapos da Filomena. Mais, o A Semana, face à concorrência ficou adormecido na sombra de moringa e quando deu conta, já não havia nem sombra, nem moringa. O Expresso das Ilhas e o A Nação levaram a árvore. O A Semana cultivou ilusão de ser o jornal mais procurado e mais lido em Cabo Verde, com isso criando um intangível – “a Notoriedade”, auto declarada, auto cotada muito acima do valor real. E manteve preços de publicidades no dobro da concorrência, quando não tinha qualidade noticiosa que despertasse o interesse. Só pedir uma proposta de publicação de uma publi-reportagem em 1 página inteira ou de um aviso de missa de sufrágio em 1/16 de páginas para verem a diferença. O A Semana continuou a cobra o dobro da concorrência! Tal como a escolha de jornais a comprar na banca, os cabo-verdianos passaram a colocar publicidades mais na concorrência. Daí a explicação da falta de cash para pagamento dos salários dos Jornalistas.

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