A legitimidade das urnas

5/10/2016 07:34 - Modificado em 5/10/2016 07:34

eurico-monteiroEurico Monteiro, Embaixador de Cabo Verde em Portugal, inseriu um post na sua página do Facebook onde discorre sobre a legitimidade do voto Faz contas. Compara com outros escrutínios presidenciais e conclui: “Não inventemos pois, teorias de legitimidade que não têm qualquer aderência à realidade do mundo! Com a devida vénia, reproduzimos na íntegra o post para aprofundar o debate:

 

Li há poucas horas uma tese que dizia ter o Presidente da República acabado de ser eleito, fraca ou mesmo nenhuma legitimidade, pois sendo os eleitores 356.574 em CV e na diáspora, o eleito terá tido cerca de 93.000 votos, ficando muito longe de metade mais um, número necessário para se poder dizer que foi eleito pela maioria do povo cabo-verdiano. (Não faço qualquer comentário sobre o número de eleitores fantasmas e dos erros de identificação que o nosso sistema ainda comporta, factos que fazem aumentar a chamada abstenção técnica).

Nessa tese, o mais relevante não é a vontade expressa nas urnas, mas a vontade difusa e desconhecida dos… eleitores, mesmo daqueles que, por razões naturalmente diversas, optaram por o não ser naquele processo de escolha da pessoa para Presidente.

A essa tese, contraponho não uma teoria da democracia representativa, mas factos mais humanos e mensuráveis e que têm a ver com a nossa história e a história do mundo. Efectivamente, a tese conveniente daqueles que se sentem mais próximos dos vencidos é o completo desmantelamento de quase todas as eleições presidenciais que têm ocorrido no mundo nos últimos cinquenta anos, pois só por milagre um candidato presidencial é eleito por maioria de votos dos eleitores inscritos nos cadernos.

E em CV, evidentemente que tal nunca aconteceu e nem acontecerá num futuro previsível. Em 2001, para não recuar mais tempo na história, mas sempre com os mesmos resultados, convém lembrar que Pedro Pires obteve 75.827 votos, estando inscritos nos cadernos 260.209 eleitores, pelo que terá sido eleito por 29% dos eleitores. Em 2006 obteve 86.583 votos, estando inscritos nos cadernos 323.554 eleitores, pelo que terá sido eleito por pouco mais de 26% dos eleitores. E as eleições foram muito competitivas!

Cavaco Silva em 2011 obteve 2.231.603 votos, estando inscritos 9.656.797 de eleitores, pelo que terá sido eleito por 25% dos eleitores.

Nos Estados Unidos, a situação é bem pior!

Não inventemos pois, teorias de legitimidade que não têm qualquer aderência à realidade do mundo!

Eurico Monteiro

  1. Antonio

    Essa teoria é CONVENIENTEMENTE levantada pelos paicvistas e os seus “LOBOS TRAVESTIDOS DE ANALISTAS, CANDIDATOS INDEPENDENTES OU DO POVO” com o PATROCINIO da nossa TCV nossa sim! para tentar esconder mais uma vez o descalabro e o desnorte do paicv! mas o POVO não é… só espero que todos os eleitos do MPD nestas eleicões façam um grande trabalho sem populismo ou eleitoralista,para em 2020 e 2021 o povo de CV mostrar a eles mais uma vêz quem manda em CV!!!

  2. Jorge

    Amor com amor se paga!

  3. CidadaoCV

    Pois é … quando a questão é política, tudo é questionável. Não acho correcto questionar a legitimidade da eleição do senhor JCF. O PR JCF tem 100% de legitimidade. Este ano foi particularmente especial em termos de acontecimentos políticos, que levou a um certo desgaste do eleitorado. Se houvesse mais uma eleição logo a seguir a esta, provavelmente a abstenção chegaria aos 75%. Não se pode ignorar o facto do Senhor JCF ter ganho em todos os círculos eleitorais, e provavelmente em todas as mesas de voto. Neste ponto o senhor JCF é 100% vencedor. De qualquer forma o que conta é o número de eleitores que foram votar, é este o número legal, a partir do qual as contas são feitas. Se formos analisar a questão do ponto de vista do número de eleitores inscritos, então, salvo raras excepções, nenhum governo, nenhum presidente tem legitimidade, porque não consegue ter 50% mais 1 dos inscritos. A abstenção não é um “voto de protesto”. As Pessoas não votam por variadíssimas razões.

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