Comissão dos Direitos Humanos de Cabo Verde preocupada com aumento da criminalidade

5/10/2016 07:23 - Modificado em 5/10/2016 07:23

crimeA Presidente da Comissão Nacional para os Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC) de Cabo Verde mostrou-se hoje preocupada com o aumento da criminalidade e afirmou que o problema só pode ser resolvido em sintonia com todas as entidades.

 

Segundo o relatório anual sobre a situação da justiça em Cabo Verde divulgado pelo Ministério Público, entre 01 de Agosto de 2015 e 31 de Julho de 2016, o País registou 120 homicídios, concluindo que a criminalidade aumentou de 6,7% relativamente ao ano anterior.

Também se registaram 504 crimes sexuais e mais de 13 mil crimes contra o património, sobretudo na cidade da Praia, a capital do País, onde, segundo o Director da Polícia Nacional, Emanuel Estaline, a criminalidade aumentou de 8% no primeiro semestre deste ano.

“São dados muito preocupantes e a Comissão tem estado sempre muito atenta a este tipo de ocorrências e sempre que temos conhecimento destas situações procuramos saber o que é que se está a fazer”, afirmou Zaida Freitas, indicando que há situações em que a comissão encaminha as pessoas para entidades e instituições que possam ajudar a resolver o problema.

“Não nos limitamos a fazer esse encaminhamento, procuramos saber qual é o desfecho, sempre acompanhado no sentido de saber que resolução é que foi dada a estes casos”, prosseguiu a responsável que falava aos jornalistas após um encontro com o Primeiro-ministro cabo-verdiano, Ulisses Correia e Silva.

Segundo Zaida Freitas que tomou posse como Presidente da CNDHC há menos de dois meses, o problema da criminalidade em Cabo Verde só se resolve se todas as entidades estiverem “em sintonia”, com as mesmas preocupações e objectivos.

“Há que fazer um bom diagnóstico e definir estratégias e atacar com veemência alguns fenómenos que têm vindo a acontecer e que muitas vezes estão relacionados com questões sociais e económicas que é a grande fragilidade que nós temos em Cabo Verde”, salientou.

Para Zaida Freitas, é preciso também “delinear directrizes muito bem definidas e estabelecer prioridades” no combate à criminalidade em Cabo Verde.

Na semana passada, o Primeiro-ministro disse que o Governo vai aprovar brevemente medidas em Conselho de Ministros para “atacar de frente” a problemática da criminalidade e da insegurança urbana no País.

O Ministro dos Assuntos Parlamentares e da Presidência do Conselho de Ministros, Fernando Elísio Freire, informou hoje que as medidas serão anunciadas na próxima sexta-feira, em reacção ao Índice Ibrahim de Governação Africana 2016 divulgado segunda-feira, em que a segurança é uma das categorias onde o País regrediu.

Um grupo de jovens organizou no sábado, uma marcha silenciosa pela paz e pela não-violência em Ponta d’Água, um dos bairros mais problemáticos da capital cabo-verdiana e onde se registaram mais casos de homicídios, roubos e assaltos à mão armada.

Segundo um estudo da Afrosondagem divulgado no ano passado, a criminalidade e a insegurança figuram entre os mais graves problemas sociais que afligem a vida dos cidadãos cabo-verdianos, sobretudo nos principais centros urbanos do País.

No mesmo estudo, concluiu-se que a percepção da insegurança é real em Cabo Verde, com uma parte expressiva da população (36 por cento) a afirmar que se sente insegura ao caminhar no seu próprio bairro e 27% assegura que sentiram medo de crimes dentro da sua própria casa.

 

LUSA

  1. xxNAXxx

    E dos crimes cometidos, homicídios, sexuais, etc. qual a % de condenações? Este indicador não será importante divulgar?

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