A abstenção tem rosto: “escolhi ir trabalhar porque os políticos não nos têm dado nada”

4/10/2016 07:35 - Modificado em 4/10/2016 07:35

votoO NN foi a procura  dos rostos da abstenção. São muitos rostos. Precisamente 59, 2 %. Por isso não foi difícil encontrar os rostos da desilusão com os políticos .Rostos cansados de promessas por cumprir ou que não querem saber de nada. E ainda  os que se esqueceram de ir votar  ou foram trabalhar .

 

A abstenção, além da vitória de Jorge Carlos, foi um dos pontos mais comentados depois do apuramento dos resultados das últimas eleições. Apenas 35,7 por cento (127.074) dos eleitores inscritos foram votar, enquanto que 64,3 por cento (228.768) se abstiveram da participação do pleito do domingo, número histórico na democracia cabo-verdiana. E dos que foram votar, 2,1 por cento (2690) foram anulados ou em branco.

O desinteresse das pessoas, principalmente dos jovens, no processo político é uma preocupação constatada por parte das autoridades. Devido a este facto, o Centro da Juventude de São Vicente realizou um projecto antes do início deste ciclo de eleições, com o intuito de despertar o interesse das pessoas no processo político. Depois das autárquicas onde a abstenção foi de cerca de 42 porcento, o tema voltou à baila com os candidatos às presidenciais a chamarem várias vezes as pessoas sobre a necessidade de participarem no processo eleitoral.

O desinteresse das pessoas pelas questões políticas, a desconfiança na classe política aliada a uma falta de melhoria das condições de vida das pessoas, poderão estar na base da decisão de se absterem de participar no processo.

“Penso que as pessoas estão cansadas de ouvir as promessas dos políticos, e não se vê nada a mudar”, afirma António Cruz e acrescenta que esta descrença nas promessas dos políticos tem as pessoas afastadas da política. Este cidadão diz que das conversas que tem tido com as pessoas, as mesmas não demonstram nenhum interesse pela classe e sublinha que os políticos não têm dado motivos para as pessoas poderem confiar.

Na mesma linha de pensamento de António Cruz, Manú Duarte, em Monte Sossego, afirma que “os políticos não têm feito um bom trabalho” e que as pessoas têm tido algumas dificuldades e, por isso, preocupam-se mais com as suas necessidades do que estarem a preocupar-se com a política.

Com a taxa de abstenção registada em São Vicente, não foi difícil encontrar pessoas que não tenham ido votar no último domingo. E num resumo das respostas da razão pela qual não foram votar, os motivos vão desde o esquecimento, à falta de gosto, ao trabalho para fazer no dia ou a um simples “eu não voto”. Nesta onda de respostas, Ricardo Delgado diz que no domingo apareceu-lhe a oportunidade de ir fazer um trabalho e passou o dia no trabalho. “Eu escolhi ir trabalhar porque os políticos não nos têm dado nada” e com esta afirmação demonstra que escolheu primeiro o trabalho e o sustento do que se preocupar com a vida política.

As próximas eleições acontecem agora em 2020, dando espaço para um trabalho para melhorar a participação das pessoas na vida política.

  1. José M P Monteiro

    A pessoa que não vota porque os políticos nada lhe dão é uma inversão do cidadão e uma espécie de escravo.
    O que é que os políticos têm para dar aos cidadãos.
    O Estado não é assistencialista nem uma grande FAIMO.

    A pessoa tem de ganhar a vida com o suor do seu rosto e trabalho, levantar-se cada dia para trabalhar, procurar emprego e fazer-se pela vida em vez de esperar que o Político lhe dê alguma coisa.
    Essa mentalidade de pobre é o cancro do país.
    A pessoa está desempregada por não haver empresas e nos últimos anos optou-se pelo investimento público e sufocar o sector privado, nomeadamente no sector da construção civil.
    Quem cria emprego são as empresas não são os políticos nem o Estado.
    São Vicente habituou-se a receber todos os grandes investimentos públicos no período do regime autoritário e as empresas públicas ficaram todas falidas e não há como arrancar São VIcente do marasmo em que caiu se não forem os empresários nacionais a investir e criar empresas e, consequentemente, emprego em sectores que S. Vicente tem mais valia como a metalomecânica, construção de pequenas embarcações e vestuário.
    Sabiam que a marca IMPETUS, uma marca líder em roupa interior de Inverno, é fabricada em S. Vicente?
    O sector de produção de vestuário tem mão-de-obra excelente em S. VIcente e é só aproveitar quem quiser investir.
    Fujam desse discurso que os políticos é que têm de dar …
    Esse disco está riscado e não mobiliza ninguém.

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