Graça questionou a legitimidade de Jorge Carlos Fonseca e analistam discordam

4/10/2016 07:27 - Modificado em 4/10/2016 07:27

albertino_graca2016Jorge Carlos Fonseca consegue a sua sucessão ao cargo de Presidente da República. Aliás, a história das presidenciais no País mostra que os candidatos que concorrem ao segundo mandato consecutivo ao Palácio do Plateau conseguem sempre a reeleição, ou seja, não foi nenhuma surpresa, apenas os números das eleições de domingo.

 

Jorge Carlos Fonseca é, neste momento, o terceiro Presidente da República de Cabo Verde eleito democraticamente a conseguir o feito. Em 1991 e 1996, António Mascarenhas Monteiro com o apoio do MpD, em 2001 e 2006, Pedro Pires com o apoio do PAICV, em 2011 e agora 2016 Jorge Carlos Fonseca.

Apoiado pelo Movimento para a Democracia que governa o País com maioria absoluta, que em Março deste ano destronou o PAICV de três mandatos consecutivos, o jurista natural de São Vicente, nas eleições deste domingo, derrotou com larga vantagem Albertino Graça e Joaquim Monteiro, um estreante e um repetente.

De acordo com os dados eleitorais, este foi o resultado mais expressivo conseguido por um candidato, histórico a nível de resultados, isto porque o candidato reeleito conseguiu 35,7 por cento (127.074) dos eleitores inscritos foram votar, enquanto que 64,3 por cento (228.768) se abstiveram da participação do pleito do domingo, número histórico na democracia cabo-verdiana. E dos que foram votar, 2,1 por cento (2690) foram anulados ou em branco

Tendo em conta esses dados, Albertino Graça questionou a legitimidade da vitória de Jorge Carlos Fonseca.

Abordado sobre este aspecto, o analista José Almada Dias, que fez a análise dos resultados na Morabeza Rádio, diz que o discurso do candidato derrotado mostra indicações de incoerência, isto porque de um lado Albertino Graça mostra-se satisfeito pelos seus resultados alcançados, 22,3% dos votos e realça o facto de um candidato independente que em pouco tempo de campanha conseguiu tal feito, por outro, levanta o véu sobre a legitimidade que o Presidente reeleito alcança. Para este analista, está bastante claro que não existem presidentes menos ou mais eleitos, apenas presidentes eleitos de forma democrática pelo povo.

Também a taxa de abstenção é histórica no País e, para isso, a justificação de JCF é simples. “Milhares de cabo-verdianos não votaram porque entendiam que já tinha ganho as eleições, o que quer dizer que, se houvesse menos abstenção provavelmente teria ganho com uma diferença muito maior do que a que tive”, assegura.

Advogado e constitucionalista, Jorge Carlos Fonseca, foi um dos promotores da transição democrática em Cabo Verde.

De acordo com a Comissão Nacional de Eleições (CNE) estavam inscritos 361.206 eleitores, sendo 314.073 no círculo nacional e 47.133 no estrangeiro, com 119 assembleias de voto no País e 347 na diáspora.

Fecha-se assim o ciclo de eleições em Cabo Verde. O ano de 2016 destacou-se como o ano de todas as eleições, primeiro as legislativas de 20 Março com a vitória do MpD, depois as autárquicas que confirmaram as conquistas do MpD que venceu em 19 dos 22 Municípios do País e agora, as presidenciais que viu a vitória do candidato apoiado pelo MpD.

  1. llg

    Sera que um presidente que convence menos de 25% do eleitorado tenha legitimidade, moral, ética e política?

    Um presidente que diz-se próximo das pessoas e que não consegue convencer o eleitorado?

    E que se gaba que fez uma excelente presidência? Algo não esta certo….e para mim foi passado um atestado de incompetência ao JCF.

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