História de superação de um ex-utilizador de droga

30/09/2016 08:13 - Modificado em 30/09/2016 08:13
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20160928_182503_resized“Das drogas ditas pesadas, experimentei todas, cocaína, heroína, coktail pedra com ervas e outros. Iniciei pela mais fraca e depois não consegui controlar-me. Pensava que podia entrar e sair quando quisesse. O vício das drogas era mais forte do que eu. Senti que vivia num mundo diferente.

 

Vivi uma ilusão, nada era real porque viver no mundo das drogas não é viver. Perdi muito, posso dizer tudo, fui destruído pelas drogas. Fui consumidor durante mais de 17 anos, iniciei ainda muito cedo. Cheguei a um beco sem saída, perdi tudo o que tinha para perder. Depois, procurei ajuda, consegui tratar-me graças a um tratamento com o Dr. Faustino. Sinto-me triste porque vejo jovens que ainda não conseguiram sair do mundo das drogas”, relata Carlos Correia, conhecido por “Tcharles” de 42 anos que agora diz sentir-se livre e limpo das drogas e trabalha no Centro Espaço Aberto Safende, colaborando na prevenção e reabilitação de consumidores.

O vício das drogas é um problema sério que tem afectado grande parte da sociedade cabo-verdiana, destruindo lares e vidas humanas. Apesar da sua dimensão, é um vício que pode ser tratado, embora uma minoria consiga escapar a essa vida desgraçada.

Carlos Mateus da Conceição Correia, “Tcharles” é uma prova viva de que é possível tratar-se e voltar a ser “um homem respeitado” e admirado por todos.

“Tcharles” iniciou o consumo com apenas 16 anos, permaneceu mais de 17 anos numa vida que considera “de destruição, de ilusão, que não tem nada de verdade”. Após ter perdido tudo, família, amigos, casa, emprego e dignidade humana, reconheceu que podia acabar cometendo crimes ou até mesmo perder a própria vida, caso continuasse no mundo das drogas. Entendeu que precisava realmente de ajuda. Felizmente, encontrou o que procurava e teve a força de vontade para continuar até hoje o seu tratamento.

“Vendi tudo o que tinha para alimentar o meu vício. Restaram apenas duas casas deixadas pelos meus pais já falecidos, mas acabei por vendê-las. Fiquei sozinho e sem nada, pensei pôr fim à minha própria vida. Faltou-me coragem, mas depois vi que deveria procurar ajuda.”

Depois de oito anos longe das drogas, “Tcharles”, hoje é um homem feliz por ter conseguido deixar o vício que o destruiu. “As pessoas admiram-me e questionam a minha recuperação”. Conseguiu recuperar, mudou de vida, há cinco anos que conseguiu um emprego como segurança no Centro Espaço Aberto de Safende, Centro Comunitário que acolhe e apoia crianças e jovens desfavorecidos, apostando na educação, prevenção dos males sociais e na inclusão social.

E porque “é mais fácil ajudar quem ainda não entrou do que os que, infelizmente, já lá estão”, para além do trabalho de guarda-nocturno e treinador da equipa de futebol desse centro, “Tcharles” orienta crianças e jovens que frequentam o centro, alertando para as consequências do uso das drogas.

Contudo, a força de coragem e a vontade de ver os outros livres dos vícios, “Tcharles” que ainda continua o seu tratamento, incentiva amigos utilizadores a deixarem o mundo das drogas, convidando-os a participarem nas sessões de recuperação.

O entrevistado que quer ser um exemplo de superação para outros jovens, reconhece que “é preciso acreditar e aceitar que a nossa conduta não está certa. “Pensamos que é fácil e que vamos sair quando quisermos mas, uma vez dominados, não é possível sair com facilidade. Não é fácil para ninguém, mas a recuperação é possível e podemos, um dia, viver livres e recuperar muitas coisas que perdemos”.

Apesar da sua satisfação por ter conseguido recuperar, “Tcharles” diz ainda sentir-se triste, pois percebe que ainda existem muitos jovens que matam a própria vida por causa das drogas sem se aperceberem do afundamento. “Há pessoas que a droga matou a própria família e, infelizmente, caminham pelo mesmo destino”.

Aos jovens, “Tcharles” finaliza deixando uma mensagem: “A droga é algo de mau que te engana, por isso, nunca te deixes cair na tentação de a experimentar”. O entrevistado chama a atenção das autoridades do País, pois “não é normal que uma pessoa morra assassinada por causa de um telemóvel. Desta forma, a criminalidade não vai ter fim. Não tarda os delinquentes, drogados vão dominar o País e já temos sinais. Não condeno os jovens, mas o Governo também é culpado, pois deveria sair dos gabinetes e ver a situação dos cidadãos”.

 

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