Economia cabo-verdiana dá sinais de retoma, mas situação de empresas públicas agravou-se – FMI

22/09/2016 08:26 - Modificado em 22/09/2016 08:26
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fmiguine2015A economia cabo-verdiana começa a dar sinais de recuperação, mas a situação financeira das empresas públicas continua a preocupar o FMI, que recomenda urgência numa solução que pare “a drenagem” de recursos do Orçamento de Estado.

 

“Tivemos cinco anos de crescimento muito baixo e este ano vemos uma aceleração do crescimento”, disse Ulrich Jacoby, chefe da equipa técnica do Fundo Monetário Internacional (FMI), que terminou hoje, na cidade da Praia, a missão anual a Cabo Verde.

Em declarações aos jornalistas durante uma conferência de imprensa conjunta com o Ministro das Finanças de Cabo Verde, Olavo Correia, Ulrich Jacoby adiantou que a missão faz uma “avaliação positiva das perspectivas de crescimento do País”.

Avaliação sustentada, segundo o responsável do FMI, no “forte programa” de investimento directo estrangeiro de 600 milhões de euros a implementar nos próximos anos, na “melhoria contínua” dos indicadores de confiança, nos altos níveis das remessas e na expectativa de um aumento da procura interna ao longo do ano.

Questionado pelos jornalistas sobre se o crescimento poderá atingir os 7 por cento estimados pelo Governo, Ulrich Jacoby lembrou que as previsões do FMI apontam para um crescimento entre 3,5 a 4 por cento, considerando que o valor do crescimento irá depender das reformas e políticas implementadas no País.

O chefe da missão do FMI alertou, por outro lado, para a importância de reduzir a dívida pública “muito alta” (126% do Produto Interno Bruto) que, nos últimos anos, combinada com os baixos índices de crescimento económico “deteriorou consideravelmente os rácios e aumentou” o risco financeiro do País.

“O stock da dívida é muito alto, mas felizmente, Cabo Verde tem uma dívida exclusivamente em empréstimos concessionais, com prazos dilatados de pagamento e baixas taxas de juro e, portanto, não há falta de liquidez. Os indicadores da dívida não revelam problemas, no entanto, consideramos que é prudente começar a tratar deste problema agora”, defendeu Jacoby.

O chefe da missão do FMI sublinhou o compromisso do Governo em reduzir a dívida, bem como a intenção de reduzir os projectos de investimento, dando prioridade aos que perspectivam “maior retorno em crescimento e emprego”.

“O Governo tem uma agenda enorme, mas dada a dívida elevada, o espaço fiscal é muito limitado e apreciamos os esforços das autoridades para fazerem mais com menos”, disse.

Ulrich Jacoby alertou ainda para a “brusca deterioração” da situação financeira das empresas públicas, nomeadamente, dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV) e do Instituto Fundiário e de Habitação (IFH), responsável pelo programa habitacional “Casa para Todos”.

“A TACV representa um risco orçamental e está a drenar recursos do Orçamento que poderiam ser melhor aplicados na agenda do desenvolvimento. Reconhecemos os esforços das autoridades em tratar deste problema e na procura de soluções nos próximos meses por forma a estancar a drenagem de recursos do Orçamento”, disse, adiantando que o mesmo problema se coloca ao IFH.

“A longo prazo será importante para Cabo Verde aumentar a produtividade para fomentar o crescimento, o que inclui melhorar a eficiência do sector público, tornar as empresas públicas mais eficientes, privatizando-as ou entrando em parcerias público-privadas”, defendeu o chefe da missão do FMI.

Ulrich Jacoby defendeu também a flexibilização do mercado laboral, considerando o novo código do trabalho que deverá entrar em vigor no próximo mês, “um passo na direcção certa”.

“Cabo Verde tem um enorme potencial de crescimento, tem uma procura turística crescente. É importante ter os trabalhadores qualificados que a economia precisa, aumentar o crescimento inclusivo e a participação das mulheres no mercado do trabalho”, disse.

A missão do FMI esteve em Cabo Verde durante duas semanas para proceder à avaliação da situação económica e financeira do País, no quadro do Artigo IV do FMI.

Durante a missão de duas semanas, a equipa técnica esteve reunida com o Governo, com o Banco de Cabo Verde, com representantes da Assembleia Nacional e do sector privado, para além de representantes sindicais e dos parceiros de desenvolvimento de Cabo Verde.

Lusa

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