“Crianças de rua” buscam sobrevivência nas portas de supermercados e restaurantes da capital

16/09/2016 08:13 - Modificado em 16/09/2016 08:22
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praiaÉ frequente ver crianças às portas de supermercados, bares, restaurantes pedindo comida e dinheiro para sobreviverem. A situação está presente em todo o País. Na cidade capital do País, a realidade é a mesma. Crianças e adolescentes fazem plantão no mercado do Sucupira, nos mercados e supermercados do Plateau, restaurantes e bares, à procura de alguma coisa para comerem. Contudo, nem sempre são atendidas e como se não bastasse, são muitas vezes maltratadas pelas pessoas.

 

A desigualdade social é um fenómeno real também em Cabo Verde. Enquanto muitos pais conseguem uma vida de luxo para os próprios filhos, outros nem conseguem proporcionar o básico, pelo que estes são obrigados a procurar na rua e a sujeitarem-se a diferentes situações que põe em causa a própria segurança física e psicológica, comprometendo o futuro.

As crianças pobres ainda muito pequenas enfrentam uma dura realidade. Como forma de reforçar o rendimento da família, são obrigadas a estarem na rua, nas imediações dos mercados no centro da cidade da Praia e vários outros pontos do País, nos espaços onde circula dinheiro. Muitas destas crianças em risco provêm dos bairros desfavorecidos onde prevalece a delinquência.

Na capital do País, este online percorreu alguns pontos onde constatou um número significativo de crianças nas ruas pedindo alimentos e moedas. Conseguimos falar com algumas “crianças de rua” para nos inteirarmos um pouco da situação e saber porque escolhem viver nas ruas.

Receosos, tentaram evitar a conversa mas bastou apenas alguns segundos de conversa para que se sentissem mais à-vontade e ganhassem confiança para aceitarem falar para os microfones do NN.

Em conversa com Adilson, criança de 13 anos que foi viver para a rua há cerca de dois anos, constatámos que a vontade de estar na rua é evidente, pois “a minha mãe bate-me muito, não cuida de mim nem dos meus irmãos mais novos, por isso, prefiro estar sempre com os meus amigos”.

Questionado sobre a sua forma de sobrevivência, Adilson responde que quando tem fome dirige-se aos restaurantes para pedir algo para comer e logo que é atendido reparte com os amigos que também fazem da rua a própria casa.

Para o entrevistado, a rua deixou de ser um local perigoso e inapropriado para as crianças, tornando-se num espaço onde tem oportunidade de se refugiar das violências sofridas em casa, um lugar onde encontrou o meio de sobrevivência.

Sentem que a vida não é fácil mas vão levando-a e tentando sobreviver um dia de cada vez. Contudo, nem todos têm a mesma sorte de serem atendidos. Leo de 16 anos adiantou que só está na rua porque em casa não há condições, mas sempre que consegue arranjar alguma coisa volta para casa para dormir e só regressa no dia seguinte. “Muitas vezes, as pessoas tratam-nos mal porque pedimos alguma coisa para comer. Não fico na rua à noite porque tenho medo de ser assaltado, por isso, vou dormir em casa”.

Um outro adolescente que preferiu não se identificar diz ansiar por uma vida melhor, continuar os estudos e ajudar a mãe. Acredita que há muitas crianças na rua porque os pais não têm condições para cuidar deles e por encontrarem na rua um lugar onde podem safar o dia ou saciar a fome.

Outros preferem-se aventurar no cais da Praia para tratarem do peixe e ganharem algum dinheiro para sobreviverem e passarem o dia.

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