Começou o debate no PAICV: Janira quer que JMN assuma a parte que lhe toca no descalabro

8/09/2016 01:05 - Modificado em 8/09/2016 01:05

janiraO ano de 2016 não tem sido o melhor para o PAICV. A derrota nas eleições legislativas de Março que interromperam um ciclo de quinze anos como Governo e, agora em Setembro, a derrota clara nas autárquicas, são exemplos do ciclo nada benéfico para o partido. A estes dois dados vem-se juntar o facto do partido não ter ainda um candidato a apoiar nas próximas eleições presidenciais que acontecem em Outubro e com a campanha a iniciar no próximo dia 15 de Setembro.

 

Com estes resultados, a líder Janira Hopffer Almada, já colocou o cargo à disposição, depois de o ter assumido há menos de dois anos, quando venceu as eleições internas, onde teve como adversário Felisberto Vieira e Cristina Fontes Lima.

Depois dos resultados, o antigo Presidente do partido sugeriu o seguinte: “Tempo sim de debate, aberto e franco, em Conferência Nacional, antes de quaisquer outras disputas sobre o Partido, as suas fraquezas e os seus pontos de força, visando o seu reforço enquanto principal força da oposição democrática e a sua capacitação institucional e política para vencer os enormes desafios que temos pela frente nos próximos anos”.

Na resposta, a actual líder respondeu usando também as redes sociais, demonstrando que a necessidade deste debate aberto e franco não é de hoje. “Mas não terá sido agora que se sentiu a necessidade desse debate franco e aberto e com reais consequências, para pôr cobro àquilo que, nos últimos anos (e não no último ano, ou nos últimos dias), se vem sentindo no PAICV”. Os responsáveis do partido concordam neste debate franco e aberto.

Com a líder a demitir-se das funções, abre-se a questão de quem irá tomar as rédeas do partido, visto que os próximos anos parecem ser conturbados, no sentido que o partido se encontra na oposição. Uma oposição difícil quando o MpD tem a maioria na Assembleia.

Em 2012 houve três candidatos às eleições internas do PAICV. Nessa altura, o PAICV era Governo e as aspirações para o futuro do partido estavam em alta para as eleições legislativas. Agora, a situação mudou. Resta saber quem irá desejar levantar o PAICV e prepará-lo para uma oposição no Parlamento e nas vinte Câmaras que perdeu no último 4 de Setembro.

Os dois candidatos que acompanharam Janira nas últimas eleições, Cristina Lima e Felisberto Vieira, seriam os nomes a apontar, isto, pelo desejo de liderarem o partido na altura. Cristina Lima, depois da derrota nas autárquicas no Município da Praia resta saber se ainda nutre o desejo de comandar os tambarinas e, depois de duas derrotas eleitorais, uma interna e outra nas autárquicas e no maior Município do País, resta saber se há condições pessoais para enfrentar os desafios do partido.

Felisberto Vieira tem sido um dos nomes grandes do partido. Uma voz que se ouve no seio do partido. E poderá ser visto como um nome a ter em conta na procura de um novo líder para o partido. Ele, na disputa interna ficou em segundo lugar e, se fosse uma sucessão automática, seria o próximo, tendo em conta as eleições internas de 2014. Outra solução seria um outsider, um nome menos conhecido no seio do partido, neutro, que teria a capacidade de unir o partido, juntando os mais antigos e os mais jovens sobre a mesma batuta.

No caso do partido não conseguir ninguém que queira assumir, surge a questão. Será que José Maria Neves, antigo líder do partido, estaria disposto a voltar e unir o partido? Foi dele a ideia de um debate franco e aberto sobre a situação do partido.

 

Hernani Delgado

  1. Nita Fortes

    Janira quer que JMN assuma a parte que lhe toca no descalabro –
    Ê o minimo que se pode pedir ou mesmo exigir

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