Autarquicas: Vencidos e vencedores

6/09/2016 08:32 - Modificado em 6/09/2016 08:32

augusto nevesTodas as eleições têm vencidos e vencedores. Às vezes, não é clara a fronteira entre a derrota e a vitória, outras vezes, há um abismo entre vencidos e vencedores e parece ser este o caso de São Vicente. Assim repete-se o cenário das autárquicas.

Vencedores:

Augusto Neves

É o grande vencedor das eleições de 4 de Setembro. Sempre acreditou na vitória. E quando os estudos lhe disseram que podia atingir a maioria absoluta, mobilizou as suas tropas, foi para o terreno, porta a porta. Penetrou nas zonas pobres da ilha onde Monteiro reinava e desmontou o discurso deste. Foi humilde, disse que não fez tudo o que gostaria de fazer, mas que gostaria de ter uma nova oportunidade, agora, com um Governo “amigo de São Vicente”. Conseguiu subir de 4% os votos que o MpD teve em 20 de Março, mas sobe com os votos dos eleitores que tinham votado na UCID. A estratégia de desmontar o discurso do “velho amigo e aliado” era de risco. Se não conseguisse a maioria absoluta, fechava a porta a um entendimento futuro com o “velho aliado”, mas se não “atacasse as posições populistas de Monteiro”, este poderia continuar a crescer e poderia até vencer. Optou pela ruptura e ganhou. Teve mais 5.446 votos que Monteiro e perdeu apenas numa zona de São Vicente: Ribeira de Vinha. Venceu nos redutos de Monteiro, Pedra Rolada, Bela Vista, Dji Sal, reconquistou Ribeirinha e deu-se ao luxo de ganhar a Alcides onde nunca o PAICV perdeu: no seu bastião de Alto Solarino. Esta vitória é de Augusto. Uma vitória de trabalho, temerária. Uma vitória de um homem que é acusado de não ouvir os outros, de não atender ao telemóvel, mas que escuta, dá atenção e é disciplinado quando quer vencer.

 

Ulisses Correia e Silva

Como Presidente do MpD entendeu a mensagem dos seus assessores que, desta vez, havia embalagem das legislativas para as autárquicas. E neste sentido, deu a cara por todos os candidatos do seu partido. Sabia que era uma mais-valia em todo o País e levou isso ao seu partido. Foi criticado por diminuir os candidatos ao aparecer junto deles nos cartazes, de confundir o eleitorado fazendo crer que as eleições legislativas ainda não haviam terminado. Mas os adversários políticos e os analistas de pacotilha que só agora conheceram o provérbio popular “não coloques todos os ovos no mesmo cesto” estavam enganados. O Presidente do MpD limitou-se a assegurar a transferência de voto dos votantes do MpD nas legislativas para os candidatos do seu partido nas autárquicas. E conseguiu mais do que isso. Os 86,4% que o MpD atingiu deixam pouca margem para discussão sobre o sucesso da estratégia de Ulisses Correia. Os ovos estão todos no mesmo cesto. E qual é o problema? É porque o cesto é verde?

 

João Gomes

É sem dúvida um dos vencedores em São Vicente. Vestiu a camisa de líder partidário e deu o peito às balas pelo candidato do seu partido. Retribui o gesto de Augusto Neves nas legislativas. Fez tudo para unir o MpD à volta do candidato do partido, foi leal e enfrentou os descontentes do seu partido em relação a Gust. Assumiu a postura de líder e na altura certa mostrou, de forma inequívoca, o seu apoio ao candidato. E nessa condição, e em nome do MpD, rompeu com Monteiro e fez aquilo que o seu partido nunca tinha feito. Atacou forte e feio a política de alianças de Monteiro, desafiou-o a apresentar propostas no Parlamento para que as pessoas possam ter luz de graça, não pagar taxa de saneamento, a ter empréstimos com juros de 2%. Monteiro tem razões para estar chateado quando há seis meses estavam de braços dados a viabilizar o orçamento da CMSV que Lídio Silva queria chumbar, mas João cumpriu com o seu papel de líder partidário e deu combate político ao Presidente da UCID. E terá virado o rumo dos acontecimentos quando anunciou que Monteiro estava a negociar um acordo com o PAICV para controlar a CMSV e concluiu “os eleitores tiram o PAICV pela porta e Monteiro quer meter o PAICV pelo portão”. Chamou o “velho aliado” de “noiva sempre disponível” e de “Maria vai com todos”.

 

 

  1. Firmino Lima

    è de notar que Augusto neves não foi humilde, visto que teve um discurso “baixo” para uma pessoa que já exerceu altos cargos em S. Vicente. Insultou o candidato António Monteiro chamando de ” larop”, falando que ia lhe amarrar em S. Vicente, e dizendo que ele não entendia de Gestão.
    O Candidato António Monteiro deu a devida resposta na Rua de Lisboa na sexta feira 2 de Setembro, explicando os cargos que exerceu na ilha eram cargos de técnico e também de gestor. E mais falou que para que o M.P.D governasse fez um pacto político com o executivo camarário de Dra Isaura, pelo que o Dr A. Neves deveria ter um pouco de humildade antes de insultá-lo. Parabéns ao Dr. Augusto pela vitória merecedora, mas que reflete sobre a sua forma de fazer política em S. Vicente. Aguardo comentários.

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