Câmara e Governo: esperar para ver

6/09/2016 08:20 - Modificado em 6/09/2016 08:20

MPDCom os resultados das eleições legislativas, deduzem-se dois dados: numa primeira leitura, a vitória do MpD nas autárquicas, consolida o dado de ser o maior partido a nível autárquico. O outro dado é a elevada taxa de abstenção que se verificou, principalmente nos maiores círculos eleitorais. Número preocupante que levou alguma apreensão aos partidos, principalmente aos que esperavam mais dos eleitores das legislativas.

 

O discurso do MpD que associou a imagem do Primeiro-ministro nas diversas campanhas do partido, foi bastante criticado. Esse mesmo discurso parece ter surtido efeito quando conquistou 19 das 22 Câmaras em disputa. O PAICV foi quem mais lutou contra este tipo de discurso, com os seus candidatos a afirmarem que uma Câmara da mesma cor política do Governo iria apenas transformar os municípios em delegações do Governo. Todavia, esse discurso teve a aprovação do eleitorado que votou no último domingo.

O MpD, com a vitória em 19 municípios e com vitórias históricas, principalmente na ilha do Fogo, demonstrou o desejo da maioria dos eleitores em ter uma mesma Câmara e um mesmo Governo. São Filipe, Santa Catarina do Fogo sempre foram panteões do PAICV, cenário que começou a mudar desde as últimas legislativas e agora confirmado nas autárquicas.

A vitória do MpD aumenta mais o seu poder e denota uma estrutura partidária mais coesa. Por outro lado, as duas derrotas do PAICV nas duas eleições já começaram a produzir danos colaterais. O exemplo maior é o da líder do partido a colocar o seu cargo à disposição. Com esta atitude, agudiza-se a crise no meio dos tambarinas, visto que o Governo tem uma maioria no Parlamento e apenas duas câmaras municipais em que não é governo.

Os votos nas redes sociais, para além dos que não apoiaram o Augusto ao segundo mandato, sendo as críticas muitas, têm sido no sentido de que “agora não há desculpas”, e deverá fazer o que prometeu e elevar a ilha de São Vicente a outro patamar como foi falado durante a campanha.

Experiências iguais, resultados diferentes

A escolha dos candidatos para as autárquicas não foi de todo consensual. O caso da Praia foi o mais mediático, mas as com maiores consequências foram na Boavista e no Fogo. Na Boavista, o Movimento Basta, liderado por José Luís Santos, que saiu das fileiras do MpD conseguiu uma vitória histórica, contrariando assim as aspirações do partido de origem. Tendo a população da Boavista como única visada, a sua campanha conseguiu sobrepor-se à dos adversários e vencer as eleições.

A mesma experiência não teve o mesmo efeito em São Filipe. Depois de Luís Pires ter sido preterido a favor de Eugénio Veiga, o anterior Presidente da CM de São Filipe sem apoio do partido concorreu como independente: a mesma atitude que Veiga teve nas eleições anteriores. Desta vez, abriram alas para Jorge Nogueira, na sua quinta tentativa, para conseguir uma vitória histórica.

Se de um lado o Basta na Boavista foi suficiente, já em São Filipe houve divisão de votos no meio do PAICV, o que acabou por favorecer o MpD.

Abstenções

A taxa de abstenção preocupa. Os 41,7 por cento de abstenção merecem uma reflexão do poder político e social, para apurar a razão pela qual cerca de 131 mil cabo-verdianos se abstiveram de participar na vida política e electiva dos seus representantes. São Vicente com 47,3 por cento contribuiu e muito para essa taxa. E foi acompanhado por dois grandes círculos eleitorais, o da Cidade da Praia com 45,5 porcento e do Sal a ultrapassar os 42 por cento.

  1. IMPOSTO ZERO

    BSOT TA MAS PREOCUPOD KA KES 750 ESCUDE DE CADA VOTE KOTE COSA

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