A China prepara-se para mudar de Presidente e o principal candidato está desaparecido

11/09/2012 16:29 - Modificado em 11/09/2012 16:29
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Os cidadãos chineses vão ficar a conhecer o seu novo Presidente no próximo mês, mas o principal candidato ao lugar não dá sinais de vida há mais de uma semana.

 

O actual vice-presidente, Xi Jinping, cancelou uma reunião com a primeira-ministra dinamarquesa na segunda-feira; falhou um importante encontro do Partido Comunista na sexta-feira da semana passada; cancelou uma reunião com a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, dois dias antes, à última hora; e também não esteve presente num encontro com o primeiro-ministro de Singapura.

 

As perguntas sobre o paradeiro sucedem-se, mas as autoridades chinesas não têm fornecido informação que impeça a formulação das mais variadas teorias. Em conferência de imprensa, um porta-voz do Governo limitou-se a dizer que já foi dito “tudo a toda a gente”, depois de ter afirmado que não tinha nenhuma informação para avançar, cita a edição online da BBC.

 

A agência AFP acrescenta que o porta-voz Hong Lei convidou os jornalistas a “colocarem questões importantes”, quando confrontado com a ausência do vice-presidente e principal candidato a liderar o país a partir de Outubro, depois da reunião da Comissão Permanente do Politburo – o órgão composto pelos nove políticos mais poderosos da China.

 

Seja qual for a razão para a ausência de Xi Jinping, de 59 anos, alguns analistas políticos apostam que o motivo mais provável é um problema de saúde.

 

“Este caso é provavelmente mais incómodo do que dramático, mas acaba por ser dramatizado devido à falta de transparência” do Governo, disse à AFP Scott Kennedy, director do centro de pesquisas sobre a China na Universidade Indiana, em Pequim. De acordo com este analista, se a ausência de Xi Jinping pusesse em causa a sucessão na liderança do país, outros responsáveis políticos já teriam também cancelado alguns dos seus compromissos.

 

O mistério adensou-se depois de a primeira-ministra dinamarquesa, Helle Thorning-Schmidt, ter assegurado à agência AFP que não estava previsto encontrar-se com Xi Jinping, apesar de a reunião constar da agenda política do vice-presidente chinês. “Penso que se trata de um mal-entendido”, disse a chefe do Governo da Dinamarca. A BBC garante que a reunião entre os dois responsáveis tinha sido anunciada aos jornalistas “com vários dias de antecedência”.

 

A única certeza é que Xi Jinping foi visto em público pela última vez a 1 de Setembro, dia em que discursou na Escola Superior do Comité Central do Partido Comunista Chinês. Desde então, têm sido várias as teorias sobre o seu desaparecimento da vida pública – desde um acidente de viação, a um problema de saúde, passando por lutas pelo poder no interior do partido.

 

O politólogo Willy Lam, da Universidade Chinesa de Hong Kong, acredita que o vice-presidente ficou ferido com alguma gravidade quando praticava desporto e que estará a receber cuidados médicos. Ouvido pela AFP, Willy Lam salienta que o estado de saúde dos dirigentes chineses é tratado como “um segredo guardado com zelo”. Ainda assim, o politólogo lembra que “nunca nenhum dirigente de destaque desapareceu de circulação a um mês de um congresso do partido, pelo menos depois da Revolução Cultural”.

 

Também Scott Kenedy, director do centro de pesquisas sobre a China na Universidade de Pequim, alinha pela tese de que a ausência do vice-presidente não põe em causa a política chinesa: “Veremos em breve uma fotografia de Xi a receber alguém, a visitar uma fábrica ou um hospital, ou qualquer coisa do género. Acho que é isso que eles vão fazer, em vez de dizerem o que aconteceu.”

 

A atribulada sucessão de Hu Jintao

 

A escolha do próximo Presidente da China deverá ser anunciada em Outubro, apesar de ainda não ser conhecida uma data certa para a reunião da Comissão Permanente do Politburo. O caminho para a sucessão de Hu Jintao tem sido atribulado e não faltam especulações sobre uma luta de poder em curso no interior do partido.

 

O processo está a ser marcado pelo escândalo que envolveu Bo Xilai, até há poucos meses um dos políticos mais populares da China e dado como certo na futura composição do órgão máximo da política chinesa.Bo foi suspenso do Comité Central do Partido Comunista a 14 de Março por suspeitas de “envolvimento em graves violações disciplinares” enquanto governador da província de Chongqing, num processo que foi visto pelos sectores mais à esquerda como uma campanha para afastá-lo da luta pelo poder. Cinco meses depois, a sua mulher, a advogada Gu Kailai, foi considerada culpada pelo homicídio do empresário britânico Neil Heywood, em Novembro do ano passado, e condenada à pena de morte, suspensa por dois anos.

 

 

 

 

dn.pt

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