O Kindle Fire HD quer estragar o jantar de Natal da Apple

11/09/2012 16:12 - Modificado em 11/09/2012 16:13
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A Amazon apresentou o Kindle Fire HD, um tablet que está a ser visto por muitos analistas como um forte concorrente do iPad. As características podem não ser as melhores do mercado, mas um ecrã de alta definição, o acesso a milhões de livros, filmes e aplicações e, sobretudo, a diferença de preço em relação à estrela da Apple, podem deixar uma bela prenda no sapatinho da Amazon este Natal.

 

Sempre que um novo gadget é anunciado, as atenções voltam-se para as características técnicas. O processador é dual-core ou quad-core? “Quantos gigas é que isso tem?” O ecrã é HD? “O quê, não tem entrada para cartões de memória?”

 

A verdade é que os consumidores deste tipo de tecnologia podem estar descansados: com mais ou menos píxeis, com mais ou menos capacidade de processamento ou com mais ou menos horas de vida após a bateria ter atingido a sua capacidade máxima, os melhores smartphones e tablets oferecem mais ou menos a mesma experiência de utilização em termos de desempenho. Em suma, ninguém vai perder um avião só porque o processador do seu tablet tem 1.0GHz e não 1.3GHz.

 

Mas como estas coisas ainda importam, aqui ficam algumas das características do Kindle Fire HD: há uma versão com um ecrã de 7 polegadas (178 mm) e uma versão com um ecrã de 8.9 polegadas (226 mm) – em comparação, o ecrã do iPad 3 tem 9.7 polegadas (246 mm).

 

A primeira tem um processador dual-core a 1.2GHz e uma resolução de 1280×800; a segunda é mais robusta, com um processador dual-core a 1.5GHz e uma resolução de 1920×1200. Comuns a ambas as versões são a incorporação de duas antenas Wi-Fi – que a Amazon reclama serem capazes de melhorar a eficácia em 40% em relação ao iPad 3 – e de dois altifalantes estéreo Dolby Digital Plus.

 

Ambas têm modelos de 16GB e de 32GB. Vão ser postas à venda através da Amazon.com a partir de 12 de Setembro, a preços que variam entre os 199 dólares (7 polegadas e 16GB) e os 369 dólares (8.9 polegadas e 32GB). Para mais tarde fica o lançamento de uma versão com acesso 4G, com 32 GB ou 64GB de memória (499 dólares e 599 dólares, respectivamente), que em tudo o resto é igual à versão Wi-Fi de 8.9 polegadas. No site da Amazon podem ser consultadas todas as especificações técnicas.

 

Ecossistema vs. processadores

 

Desde que a Apple lançou o iPhone, em 2007, as restantes marcas têm vindo a aperceber-se de que a aposta deve centrar-se no ecossistema, ou seja, na qualidade dos serviços e dos produtos a que os utilizadores podem aceder através dos seus equipamentos. São exemplos disto o iPad e a loja de aplicações App Store e o Kindle Fire e a loja da Amazon.

 

O novo tablet tem muitas das melhores características de campeões como o iPad, o Galaxy Tab ou o Nexus 7, mas tem um trunfo que está a levar muitos analistas a apostarem no Kindle Fire HD como uma jogada de mestre da empresa fundada por Jeff Bezos.

 

Num comentário enviado ao PÚBLICO, o analista português Francisco Jerónimo, da International Data Corporation, afirma que a Amazon “deu uma importante lição a toda a indústria da electrónica de consumo”.

 

“A Amazon anunciou não só um excelente tablet do ponto de vista do hardware, mas embrulhou-o em excelentes serviços e conteúdos, que melhoram significativamente a experiência dos utilizadores, a um preço que vai tornar, pela primeira vez, o segmento dos tablets de boa qualidade acessível ao mercado de massas”, afirma o especialista.

 

Randy Hellman, analista da empresa norte-americana Bovitz, também recebeu o novo Kindle com entusiasmo: “Em poucas palavras, o Amazon Kindle Fire HD elimina toda a competição à excepção da Apple”, cita o site da revista Wired.

 

Do ponto de vista dos especialistas, o sucesso do Kindle Fire HD parece estar garantido, mas quase todos salientam que o iPad continuará a ser visto como o rei dos tablets. “Devido à quantidade de aplicações do [sistema operativo] iOS e do ecossistema da Apple, não considero que o iPad esteja sob uma grande ameaça. Mas a Apple não deve assumir uma atitude complacente”, escreveu no Twitter o analista Michael Gartenberg, da empresa Gartner. Noutro tweet, Gartenberg aponta o caminho que as grandes marcas devem seguir, se quiserem, de uma vez por todas, dar luta à Apple: “Qual é a lição da Amazon? Não tentem ser quem não são. O que está a funcionar para a Amazon é deixar que a Amazon seja a Amazon.”O analista Francisco Jerónimo não tem dúvidas: “Todos os fabricantes de smartphones e de tablets têm de olhar com muita atenção para a revolução que a Amazon está a protagonizar. Com o lançamento do Kindle Fire HD, a Amazon apresenta finalmente um equipamento que realça “a importância que tem para a empresa desenvolver um ecossistema.”

 

Os títulos dos principais sites de tecnologia e agências noticiosas não pouparam elogios à nova estrela do mundo dos gadgets: “Com o Kindle Fire HD, a Amazon desafia a Apple no seu próprio campo” (Wired); “A Amazon desafia o iPad com o novo tablet Kindle Fire” (AFP); “O Kindle Fire HD pode chamuscar o iPad” (CNET). Mesmo os mais cautelosos não conseguem afastar definitivamente a comparação entre o novo Kindle e o iPad: “Por que o Kindle Fire HD não vai prejudicar muito a Apple… por enquanto” (CNBC).

 

 

 

 

 

publico.pt

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