Boa Vista: Chineses dizem que são perseguidos pelas Finanças

19/08/2016 08:24 - Modificado em 19/08/2016 08:24
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loja chinesesComerciantes chineses na ilha da Boavista fazem um protesto silencioso esta quinta-feira, fechando as portas dos estabelecimentos comerciais como forma de protesto contra o Ministério das Finanças que, como afirmam a RCV faz desde 2012 fiscalização nas lojas da ilha, mas só às pertencentes aos chineses.

O Presidente da Associação de Comércio Chinês em Cabo Verde quer tratamento igual aos outros comerciantes da ilha e diz que existem outras lojas de estrangeiros na ilha, como espanhóis e italianos, mas que não recebem fiscalização por parte da Repartição das Finanças todos os dias e já estão cheios de raiva por causa de um facto injusto.

Sendo assim, o mesmo já tentou resolver o problema junto do Ministério das Finanças, mas o problema continua afirmando, no entanto, que não são contra a fiscalização, mas esta deve ser feita em todas as lojas sejam elas chinesas ou não.

Uilsa Chantre, do Ministério das Finanças na Boavista,   na RCV  desmente este facto afirmando que este é um tratamento padrão que envolve todos os comerciantes da ilha e que não se trata de perseguição, apenas de um procedimento normal que vai continuar para garantir uma melhor fiscalização a todos os estabelecimentos comerciais. Esta fiscalização, conforme fez saber, é o registo de vendas diárias, emissão de talão ou facturas, todos os contribuintes são fiscalizados, sobretudo aqueles que têm um estabelecimento de carácter de supermercado, minimercado, lojas que vendem outras coisas e têm muito movimento pelo que é obrigatório emitir um talão. Garante ainda que num mês fazem fiscalização umas três a quatros vezes em diversas lojas.

Todavia, o Presidente da Associação de Comércio Chinês em Cabo Verde diz que para fazer a emissão do tal talão é preciso uma máquina e desde 2012 que compraram uma máquina registadora para registar as vendas, mas arranjam sempre algo mais para acusar os chineses.

“A Repartição das Finanças na ilha envia técnicos para fiscalizar as contas de venda e depois, no fim do dia, recolhe os valores e faz cálculos, e são eles próprios que os fazem. Dizem que o valor não chega e foram eles que calcularam e ficam a suspeitar dos chineses e dizem que nós é que estamos a fazer alguma coisa errada”, returque o Presidente da Associação de Comércio Chinês em Cabo Verde”.

A desavença, segundo Uilsa Chantre, começou quando foi feita uma diligência encabeçada por ela e mais dois técnicos a uma loja chinesa e ficou constatado que esta não fazia o registo das vendas na máquina registadora que apenas fazia de enfeite no balcão.

Depois do sucedido, a Repartição das Finanças decidiu fazer o acompanhamento de fecho de caixa como prevê a lei fiscal e registaram anomalias, ou seja, devido à “nossa presença no local, tiveram de registar tudo e, no fim do dia, havia uma venda X enquanto que as declarações que nos fazem diariamente não condiziam com o que constatámos in loco”.

Desde então, começaram a fazer o mesmo processo noutras lojas chinesas, o que revoltou os comerciantes que dizem que caso não seja resolvida esta situação, muitos vão fechar as portas e regressar ao próprio país.

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