Bruno Faria: “a possibilidade de acontecer uma erupção vulcânica na ilha da Brava é real”

9/08/2016 08:00 - Modificado em 9/08/2016 08:00
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brunoO geofísico Bruno Faria recomendou hoje uma campanha de sensibilização junto da população da Brava por esta ilha ser vulcânica e haver sempre risco de uma erupção.

Bruno Faria, geofísico do Instituto Nacional de Meteorologia e Geofísica (INMG) fez a recomendação uma semana após a ilha registar vários abalos sísmicos que levaram as autoridades a admitir a possibilidade de ocorrência de uma erupção vulcânica.

Em entrevista à Rádio Morabeza citada pelo Expresso das ilhas, o técnico afirmou que a possibilidade de acontecer uma erupção vulcânica na ilha da Brava é real e cita alguns estudos.

“Todos eles partilham da opinião de que uma erupção na Brava pode acontecer a qualquer momento e que são erupções violentas. Isto está publicado em artigos científicos e não há discussão possível. A menos que haja uma nova teoria da vulcanologia completamente nova que derrube tudo o que se conhece hoje”, sustentou.

A ilha da Brava, vulcânica como as restantes nove de Cabo Verde, tem registado vários abalos sísmicos nos últimos anos, mas sem causar grandes danos.

A última actividade sísmica aconteceu há uma semana, o que levou as autoridades a admitir a possibilidade de uma erupção vulcânica, tendo também sido evacuadas cerca de 300 pessoas das localidades de Cova Joana e Benfica.

Segundo Bruno Faria, uma erupção vulcânica na ilha seria “muito explosiva” e cita como exemplo os depósitos geológicos na ilha, nomeadamente as covas existentes, Cova Joana, Cova Galinha, Covoada.

“Essas covas resultam exactamente da interacção do magma com a água, que produz explosões muito violentas e que formam essas crateras”, explicou.

A posição foi também defendida por José Madeira, co-autor de um estudo sobre a vulcanologia da Brava, afirmando que qualquer erupção que, eventualmente venha a acontecer na Brava, poderá ser mais violenta do que aquela que aconteceu na vizinha ilha do Fogo em finais de 2014.

“Quando o magma entra em contacto com a água do subsolo, isso pode contribuir para aumentar a explosividade e, portanto, uma erupção deste tipo, normalmente começa de um modo relativamente brusco, com explosões, projecção de blocos de rocha”, indicou José Madeira.

Em declarações à Inforpress, Bruno Faria disse que não se registam abalos sísmicos na ilha da Brava.

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