Hollande garante imposto extra para ricos e promete poupar 33 mil milhões

10/09/2012 01:17 - Modificado em 10/09/2012 01:18
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O Presidente francês anunciou neste domingo uma “agenda para a recuperação” económica do país, durante os próximos dois anos, e garantiu que os vencimentos superiores a um milhão de euros serão taxados a 75% “sem excepções”.

 

“Vou estabelecer uma agenda para a recuperação [do país]. Dois anos para pôr em prática uma política para o emprego, para a competitividade e para equilibrar as contas públicas”, afirmou François Hollande no jornal das 20h00 da TF1, na sua primeira entrevista televisiva depois das férias de Verão.

 

Numa altura em que, quatro meses depois da sua eleição, assiste a uma queda de popularidade entre a opinião pública e na imprensa, Hollande garante que “escuta a impaciência”. O socialista justificou as preocupações dos franceses com o “desemprego elevado” (três milhões de franceses), a competitividade da economia “degradada”, com os “défices consideráveis” e com o “endividamento histórico” do país. Disse porém, que não pode “fazer em quatro meses” o que o seu antecessor, Nicolas Sarkozy, “não fez em cinco anos”.

 

Mesmo assim, argumentou o Presidente, depois de ter assumido funções, “o Governo não perdeu tempo, agiu rapidamente”. Hollande lembrou o aumento do salário mínimo e de diversas prestações sociais, a par do congelamento do preço dos combustíveis. Embora tenha assumido que estas medidas “não são suficientes”, o socialista defendeu-se: “Não vou fazer em quatro meses o que os meus antecessores não fizeram em cinco ou em dez anos. Mas estou no combate, não quero olhar para o passado”, disse.

 

Pela frente tem a difícil tarefa de poupar 33 mil milhões de euros. Dez mil milhões serão obtidos com cortes na Educação, Justiça e Segurança. Outros dez mil milhões terão de vir dos contribuintes. O remanescente virá das empresas.

 

Hollande destacou entre as suas prioridades o combate ao desemprego. Para o Presidente, a tendência crescente desta taxa, que está já quase colada aos 10% , “deve ser invertida no espaço de um ano”. O Presidente garantiu ainda que a sua promessa de campanha de taxar a 75% os rendimentos anuais superiores a um milhão de euros será cumprida e que a medida será aplicada e “sem excepções”.

 

Hollande recordou que este imposto terá em conta “todas as outras contribuições” e que será “limitado no tempo”, tendo a duração estimada de dois anos. Para o Presidente, a medida é “simbólica” e “muito importante” porque “é preciso que, num momento de dificuldade como o que a França atravessa, cada um assuma o seu papel”. “O meu objectivo é a construção de uma sociedade solidária. O compromisso que assumo é o de que os franceses possam dizer, em 2017, que vivem melhor do que em 2012”, acrescentou.

 

Uma sondagem do instituto BVA para a edição deste domingo do diário Le Parisien mostrava que quase seis franceses em cada dez estão descontentes com a actuação de Hollande nestes primeiros quatro meses do mandato, justificando a sua opinião com o facto de o chefe de Estado não ir “suficientemente longe” nas suas reformas.

 

 

 

 

 

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