Navio Vicente: A culpa não morreu solteira, morreu com um morto

3/08/2016 08:43 - Modificado em 3/08/2016 08:43

TuninhaEstamos habituados que as autoridades cabo- verdeanas quando se trata de atribuir culpas quando o poder está envolvido deixem a culpa morrer solteira para que nao haja culpados .Mas no caso do naufrágio do Navio Vicente criaram mais uma ” caboverdura” : atribuíram a culpa a um morto.  

O arquivamento do processo-crime referente ao afundamento do Navio Vicente no Vale dos Cavaleiros na ilha do Fogo, não caiu bem aos cabo-verdianos que reagiram com indignação ao desfecho do caso. Para os entrevistados, os responsáveis escolheram a forma mais fácil, “condenar aquele que não se encontra vivo,para se defender” e ilibar as autoridades que não fizeram o trabalho de forma a evitar o acidente.

À semelhança dos familiares e amigos das vítimas do naufrágio, as pessoas entrevistadas pelo NN dizem-se descontentes e indignadas com o desfecho do caso que marcou de forma trágica a sociedade cabo-verdiana no dia 08 de Janeiro de 2014.

São várias as reacções da sociedade em relação ao desfecho do caso. Aricson Fonseca, sobrevivente do naufrágio, diz que foi com muita dor, tristeza e angústia que recebeu a notícia do arquivamento do processo. “Ninguém consegue apagar das nossas memórias o dia triste. O mais difícil é ver os culpados de fato e gravata a andarem por aí. Só nós sabemos a nossa dor, Deus é grande, fará a sua justiça. Descansem em Paz meus colegas que perderam esta batalha no Mar e nós que sobrevivemos, vamos continuar fortes e algum dia ajudar esses órfãos que os incompetentes desta terra assassinaram, mas a vida continua”.

Celina Gonçalves, tia de uma das vítimas afirma estar incrédula com a justiça cabo-verdiana, pois a decisão do MP não mostrou fundamento para atribuir culpa exclusiva ao comandante. A mesma considera que as autoridades marítimas e o armador são também responsáveis pelo trágico acidente que ceifou a vida de vários chefes de família.

Eurico Barbosa, residente na zona de Ribeira de Craquinha, localidade com o maior número de vítimas do naufrágio, frisa que “é fácil culpar um defunto para esquivar responsabilidades, muita coragem”. Contudo, o mesmo acredita que “a maior justiça é divina que tarda mas não demora”.

Indignada com a situação e comovida com a dor dos familiares, Vanda Conceição afirma que situações do tipo tornaram-se prática em Cabo Verde, porque “a culpa morre sempre soleira”.

As investigações do Ministério Público dão conta da existência de indícios suficientes da prática em autoria material singular de 14 crimes de homicídio negligente. Assim sendo, a responsabilidade toda recaiu sobre o comandante do navio, Cláudio Manuel Ferrero Gonzales, de origem cubana, indiciado de catorze crimes de homicídio negligente.

Contudo, “a responsabilidade civil extracontratual pelo risco não se extingue com a morte do comandante, podendo os representantes legais das vítimas accioná-la judicialmente, respondendo os bens que houver deixado e solidariamente ao armador”.

  1. Julio Goto

    … A culpa nao morreu solteira. Aqueles que chegaram a esta concluzao sao pessoas desonestas,inconpetentes ponto e basta.
    Se tivessem urinado na agua salgada o resultado seria outro.
    Depois do acidente ouvimos muitas opinioes ,muitas falhas tecnicas,que podiam recair no capitao ,tripulacao ,armador autoridades maritima para nao esquecer aqueles que abandonaram os coitadinhos a morrer afogado ingeado quando as possibilidades de salvar vidas era 100%.

  2. Arlindo

    Fala sério….. Agora jam fca sem sabé ao certo:
    Quem ek ta dá ordem de saída de um Barco?

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