Assembleia Nacional: desagrado com o nível do debate da Casa Parlamentar

2/08/2016 07:56 - Modificado em 2/08/2016 07:56
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Parlamento-768x341O último episódio ocorrido na Assembleia Nacional com acusações e troca de insultos entre a mesa e a bancada do PAICV, que levou os deputados do PAICV a abandonarem a sessão, foi mais um incidente que leva muitos a manifestarem o descontentamento pela actuação dos eleitos nacionais na Casa Parlamentar e a forma como têm conduzido os trabalhos.

Os deputados são eleitos pelo povo para defenderem os interesses do povo. A Constituição da República afirma que “todos os cidadãos têm o direito de participar na vida política directamente através de representantes livremente eleitos”. A abrangência da missão é maior quando no mesmo documento está escrito que “os deputados são os representantes de todo o povo e não unicamente dos círculos eleitorais por que foram eleitos”. Em conversa com alguns cidadãos, os mesmos não conseguem ver os seus interesses defendidos no Parlamento. A questão não se centra no facto dos “deputados não discutirem os assuntos de interesse das pessoas”, como analisa Nuno Santos.

“É lamentável, muitas vezes, o comportamento dos deputados, quase que estão lá para brigar uns com os outros em vez de discutirem ideias, que é o que estão lá a fazer”, desabafa outro cidadão, Manuel Duarte. Para ele, as sessões têm sido iguais desde sempre, e sempre com as mesmas questões.

A atitude dos deputados ao saírem, parece ser justificada por Ailton Soares, que diz que a forma como o actual Presidente da Assembleia se dirigiu aos deputados não foi a melhor. O termo cómico usado, falar em grupinhos que querem desestabilizar os trabalhos, “não foi o mais correcto”. Neste sentido, pede respeito de ambos os lados para que possam chegar a consensos e conseguir o melhor para o País. Na mesma linha de pensamento, Nídia Soares acrescenta que o Parlamento tem sido, muitas vezes, “um mau exemplo de como discutir os problemas do País”.

Neste sentido, o pedido é de “respeito” pelas pessoas que elegeram os seus representantes. “Com aquelas brigas e quezílias, eu não me sinto representado”, diz Nídia.

“Se há alguma coisa que eu não entendo, é porque é que ainda se fala muito nos anos noventa. Parece que estão mais preocupados com o passado do que com o presente e o futuro”, afirma Bruno Delgado. Ele acrescenta que a mudança do Governo não mudou nada. Os que estavam na oposição estão a ter a mesma atitude dos que estavam na oposição anterior e os que estão a governar agora, também têm tido a mesma atitude dos que estavam no Governo.

E o pedido de todos é que possam debruçar sobre os assuntos levando em conta as necessidades do País e os seus desafios e que os deputados se devem “focar nos debates e não em questões pessoais e partidárias”, que não trazem nada de benéfico para a democracia no País e para o bem-estar das pessoas.

“Todos falam em respeito mas não vejo muitos deputados demonstrando esse respeito”, finaliza Manuel Duarte.

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