Será possível travar os ataques de “lobos solitários”?

1/08/2016 09:22 - Modificado em 1/08/2016 09:22
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lobos solitariosAção de “lobos solitários” ganha importância crescente tornando, assim, os atentados mais difíceis de prever e de evitar.

Acaba por ser algo injusto. O lobo é um animal nobre. Associar o caráter mítico dos que optam por uma existência independente da alcateia a seres humanos que, por norma, causam danos bastas vezes irreparáveis através de ações individuais é um insulto àquele sobrevivente da Idade do Gelo. Porém, não há volta a dar. Os “lobos solitários” estão, infelizmente, na ordem do dia, mercê de uma série de atentados recentes.

O termo “lobo solitário” identifica um operacional que age extrinsecamente a uma estrutura de comando, qualquer que seja a ideologia.

Regra geral, partilha uma identificação filosófica com um grupo radical sem comunicar com ele. Ainda que as suas ações tenham como objetivo promover as pretensões do coletivo, as táticas e os métodos são concebidos e dirigidos por ele próprio, sem direção ou ordem externa.

Graças a esta estratégia, o terrorismo de “lobos solitários” constitui um problema muito particular para as unidades antiterroristas, já que dificulta consideravelmente a recolha de informação, em comparação com as formas de terrorismo convencionais. “Por definição, agem sem comando e controlo direto de uma rede mais ampla, sendo que, sem essas comunicações, podem fugir das atenções das autoridades”, aponta um relatório do inglês Royal United Services Institute (RUSI).

Por seu lado, Will McCants, especialista em movimentos jiadistas da Brookings Institution, de Washington, nos EUA, diz que os ataques individuais “criam uma ansiedade maior do que os atentados diretamente planificados, porque o autor pode ser qualquer pessoa”.

Aymenn al-Tamimi, do Middle East Forum, realça que, logisticamente, “os ataques não precisam de uma longa planificação, são menos custosos e demonstram grande eficácia. Para as autoridades, as ações individuais são mais difíceis de evitar por serem mais imprevisíveis”.

Já o procurador de Paris, François Molins, alude a um outro aspeto ao dizer que a propaganda online ganha eficácia quando direcionada a “personalidades perturbadas ou indivíduos fascinados pela ultra violência”. O que entronca na convicção do ministro alemão do Interior, Thomas de Maiziére, que declarou que o ataque provocado por um refugiado afegão de 17 anos, no passado dia 18, pode ser um caso em que “a loucura se liga ao terrorismo”.

E a demência tem compartimentação. Segundo a RUSI, os extremistas de direita europeus matam e ferem mais pessoas em ataques individuais do que os terroristas islâmicos. Além disso, aquele tipo de atacante é mais difícil de detetar e travar do que o de inspiração religiosa. Tanto que 40% deles foram descobertos por acaso, como parte de uma investigação sobre outras infrações ou porque o autor acidentalmente detonou um dispositivo ou matou um indivíduo.

Por outro lado, os “lobos solitários” europeus – mais socialmente isolados e mais propensos a problemas de saúde mental do que outros operacionais que agem sozinhos – falam muito menos sobre as suas atividades do que os terroristas de suposta influência islâmica, que, em 45% dos casos, conversam sobre a sua inspiração e possíveis ações com a família e amigos.

Lahouaiej Bouhlel, França

No passado dia 14, o tunisino dirigiu um camião contra milhares de pessoas que assistiam ao fogo de artifício evocativo do Dia de França, em Nice. Oitenta e quatro pessoas morreram e mais de 200 ficaram feridas.

Anders Breivik, Noruega

Em julho de 2011, Anders Breivik fez explodir uma bomba em frente à sede do Governo, em Oslo. Depois, na ilha de Utoya, onde estava reunida a juventude do Partido Trabalhista, alvejou 69 pessoas. O duplo atentado fez 77 mortos.

Yigal Amir, Israel

4 de novembro de 1995: Yigal Amir, seguidor de Meir Kahane, assassina o primeiro-ministro, Yitzhak Rabin, durante uma manifestação de apoio aos Acordos de Oslo, em Telavive. Condenado a prisão perpétua mais 14 anos.

Baruch Goldstein, Cisjordânia

A 24 de fevereiro de 1994, Baruch Goldstein, antigo membro da Liga de Defesa Judaica e elemento do movimento extremista kahanista, abriu fogo no Túmulo dos Patriarcas, em Hebron, matando 29 pessoas e ferindo pelo menos cem.

Theodore Kaczynski (“Unabomber”), Estados Unidos

De 1978 a 1995, Theodore Kaczynski, “Unabomber,” enviou cartas-bomba a várias pessoas, matando três e ferindo 29. Ameaçou continuar se o seu manifesto antitecnologia não fosse publicado no “New York Times”. O jornal fê-lo.

jn.pt

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