Massacre de Monte Tchota: um relatório que deixa muitas perguntas sem resposta

30/07/2016 13:48 - Modificado em 30/07/2016 13:48

Massacre Monte Tchota3Os resultados do inquérito sobre a morte de onze pessoas no destacamento militar de Monte Tchota foram dados a conhecer hoje e apontam falhas nos procedimentos de controlo do posto. Apontam como único suspeito, o soldado Manuel António Silva Ribeiro. Quanto às motivações, o relatório conclui aquilo que o Ministro da Administração Interna concluiu poucas horas após a descoberta dos corpos: motivações pessoais e que o jornal a ‘ASemana’ tinha concluído que se tratava de um “ajuste de contas do narcotráfico que atacava de novo”. Não foi dado a conhecer a forma como as pessoas foram assassinadas e, em particular, como é que oito militares que dispunham de armas foram mortos sem poderem reagir.

O Tenente-coronel Anildo Morais que sucedeu ao Major-general Alberto Fernandes depois deste ter colocado o cargo à disposição na sequência das mortes de Monte Txota, disse que “haverá sempre consequências. Depois de uma análise profunda, é claro que nada fica como dantes nas Forças Armadas. Haverá certamente responsabilização, teremos de fazer os reajustamentos necessários conforme for a situação.” E, neste sentido, adiantou que “através dos resultados do relatório, serão instaurados processos disciplinares, eventualmente a algum militar que tenha infringido os regulamentos de disciplina militar ou procedimentos no dia-a-dia de funcionamento do destacamento de Monte Txota”.

O CEMFA não mencionou nomes nem funções de militares que estavam de serviço no dia das mortes que só foram descobertas no dia seguinte, mas indicou que o processo disciplinar para a responsabilização já está a decorrer na 3ª Região Militar que é responsável pelo destacamento.

O relatório, onde foram ouvidas várias pessoas, entre elas o soldado Manuel Silva Ribeiro, concluiu também que as Forças Armadas precisam de mais meios humanos e materiais, sobretudo de transporte e de comunicação, carências que já foram remetidas ao Governo.

Com base no relatório que foi encaminhado ao Ministro da Defesa, Luís Filipe Tavares, o Chefe das Forças Armadas Cabo-verdianas disse que foram dadas indicações para reavaliar e actualizar as normativas em matéria de actuação, bem como acompanhar possíveis casos de instabilidade emocionais ou psicológicos entre os militares.

  1. CidadaoCV

    Não … não há pergunta que não tenha resposta. AS respostas, por “motivos convenientes”, podem não serem dadas. E é exactamente o que se espera do inquérito a este caso. Que todas as respostas seja dadas, e que todas as consequências sejas clarificas e as responsabilidades atribuídas. Não se pode dissimular que, por bandalhice das FA, três civis, foram barbaramente assassinados, por um militar que lhes devia dar protecção.

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