Injúria e humilhação para se obter um visto para Portugal

25/07/2016 08:38 - Modificado em 25/07/2016 08:38

passaportesA questão dos requisitos para se obter um visto para Portugal , assim como os atrasos quando o visto é concedido continua a suscitar reacções e criticas vindas de diversos sectores  da sociedade  cabo-verdiana. Publicamos  na íntegra um post publicado pelo advogado Geraldo Almeida  no seu Facebook  dirigido ao  Ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde

Opinião

” Este meu post é dirigido ao  Ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde e à Embaixadora de Portugal em Cabo Verde .

Recentemente veio o Primeiro Ministro de Portugal  advogar a ideia romântica de abrir as fronteiras da lusofonia. A ideia é bela, sem dúvida, mas como se pode pensar em abrir  fronteiras se não se consegue sequer viajar em férias ou negócio para  Portugal?

No ano passado estive quatro dias a ligar para estes números 2603980; 2603981; 2603982 para conseguir uma entrevista no Centro Comum de Vistos. Com tantas tentativas infrutíferas, decidi deslocar-me em pessoa, mas no Centro Comum de Vistos me informaram que não aceitam marcações pessoalmente. Tem que ser por telefone! Mas o telefone não funciona-retorqui!! Ninguém atende! Vai tentando – informou o funcionário! Não temos outra via! Só ao cabo de 4 dias a telefonar  lá consegui falar com alguém que me marcou a entrevista e me deu uma catrefada de papéis que tinha  que tratar: reserva da viagem; reserva de hotel (com o risco de perder o valor do hotel caso não conseguisse o visto, ou desmarcar a tempo);  termo de responsabilidade assinado pelo Notário; seguro de viagem; cópia do cartão de crédito; se ia para casa de família, confirmação de que esse familiar tinha casa própria ou arrendada; cópia do cartão de residência do familiar; certificado de junta de freguesia; confirmação de que esse familiar tem todos os impostos pagos ao Estado português … etc. etc.

Dei por mim a pensar: esses canalhas que andam a inventar essas regras são os principais responsáveis pela falência (ou pelo menos atraso)  no projecto da lusofonia!

Estive para desistir de viajar para Portugal, mas respondi-me: se posso desistir dos canalhas que inventam essas regras, não posso desistir dos afectos que me ligam a Portugal! Portanto, vou tratar de toda a papelada  que me exigem e vou rever Lisboa, sim senhor!

Ao que parece as coisas pioraram e há mesmo gente a desistir de viajar para Portugal, tal é a injúria e humilhação para se conseguir um visto.

É lamentável como os portugueses não aprenderam que só a lusofonia junta pode dar Novos Mundos ao Mundo. A sobranceria portuguesa é a principal responsável pelo atraso no projecto da lusofonia.

O Senhor Ministro dos negócios Estrangeiros deve chamar o Senhora Embaixadora de Portugal para, em conjunto, tomarem pulso a este assunto. O Estádio de coisas actual é deveras humilhante!.”

  1. john

    Voces nao optaram pela a independencia! A vida nao seria melhor sem os portugueses?Entao, essa humilhacao e o preco que voces tem que pagar por terem tomado essa decisao e por favor nao reclamem. Eu sou caboverdeano e tenho raiva dos ” herois nacionais” por terem retirado Cabo Verde da terra mae Portugal. Os portugueses podem entrar em qualquer parte do mundo sem vistos de entrada. Fiquei muito contente quando o ex-presidente pedro pires foi barrado nos servicos da fronteira no aeroporto de portela em Lisboa; bem feito, agora estamos com as portas fechadas para o mundo e tudo por culpa desses “herois nacionais”.

  2. manuel m. fernandes

    Que post meu Deus?…e com adjectivo de canalha aquem tem todo o direito de colocar condições de entrar no seu território nos dias conturbados de hoje! Para quem já ultrapassou a idade dos 60, devia pugnar para que ser um elemento catalizador de vontades, construindo pontes nas relações de amizade entre os povos Caboverdiano e Português, e não contribuir para complicar as coisas. Portugal tem sido a nossa porta de entrada na Europa e onde temos uma comunidade enorme. Para que desinformar enumerando todos os documentos colocados pelo “consolado”, em função do estatuto do visto que se pede, da idade de quem pede, etc., dando a ideia que são todos usados sempre que se pede um visto?

  3. A.D

    Caro Dr. Germano

    Vi que ainda nao percebeu.

    O problema nao e lusofonia.

    Vamos falar do contrario.

    O que que o Governo Caboverdeano exige a um qualquer português para viajar para Cabo Verde. Onde e emitido visto. Quais as exigências feitas a um qualquer português.

    Nao vejo o nosso ministro dos negócios estrangeiros, pessoa pelo qual reconheço grande capacidade a alterar este paradigma da escravatura civilizada

    Um bom dia

  4. Aderito

    Eu assino por baixo, a mesma coisa aconteceu comigo já desiste de viajar já perdi o meu dinheiro…isso é pela segunda vez é uma injuria mesmo mas injuria mesmo desses portugueses aqui em cabo verde

  5. Aderito

    já perdi seguros de Viagem reserva de Hotel, e entre outros…
    Sr. Ministro isto é uma questão muito lamentável que precisa ser revisto o mais urgente possível.

  6. Observador

    Nada mais do que uma grande verdade, basta ir lá estes dias de manha e a tarde para ver que as filas começam la dentro e terminam cá fora (na rua), muitas gente vai lá para porque os telefones não funcionam e vão a procura de informações do processo após espera de 15 dias no mínimo. A situação é de todo muito critica os sistema electrónico se senhas esta lá só para enfeitar a sala(não funciona) o que gera muito ruído na comunicação durante a espera pois as senhoras do atendimento tem falar alto para que se possa ouvir as chamadas. O protejo Centro Comum de Visto é sem dúvida um bom projecto o que se passa é que precisa de um upgrate, para acompanhar o aumento das representações diplomáticas que hoje representa é este o pecado, pois o numero inicial nada tem haver com as realidades(hoje representa países onde tem forte comunidade, Portugal, França, Holanda, Luxemburgo etc) .
    Sem dúvida que é preciso rever o tal falado pareceria especial com CV/UE e CPLP e nem PALOP que até hoje o Cidadão Comum ainda não se sentiu o efeito (sem circulação pessoas, capitais, serviços ) continuaram a ser miragens. Aos jornalistas que dêem um vista de olhos por estes dias no Centro Comum e vejam a vergonha, a injuria que uma pessoa passa par ir a Lisboa. A sugestão é que com os mesmo requisitos consegue-se pedir um visto para as canárias( Espanha) único país que de momento não é representado pelo CCV é Canárias ainda tudo é mais barato que Lisboa …

  7. Sra.Ortes

    Eu entreguei todos os documentos tanto da parte do familiar em PT como os meus, a pedir um visto de férias 20 dias.
    resposta? RECUSADO., já é a 2ª vez que o pedido foi recusado. o primeiro foi em 2011. Pergunto-me! quais os critérios para recusarem o visto tendo em conta que apresentei todos os documentos possíveis!!????… ahhhh! seguindo a lista que vocês já devem ter.
    No Sal o espaço onde as pessoas vão para entregar os pedidos, não tem as mínimas condições, ou seja o buraco de um “container” improvisado uma sala de espera, onde a proprietária do estabelecimento não respeita as pessoas e faz favores a todos os seus amigos e conhecidos, os utentes com entrevistas marcadas ficam á espera mais tempo do que deviam. CARALHO PÁ! RESPEITAM AS PESSOAS
    Assisti, a sra.proprietária a pedir ás pessoas para darem licença da sala de espera, sala essa que também é usada quando os encarregados de educação vão deixar os seus filhos para estudarem.
    Os nossos governantes só fazem asneiras!!!! haja paciência…

  8. Constância Tavares

    Tem toda a razão Dr. Geraldo Almeida!!! Subescrevo na íntegra a sua tese, pois a mesma coisa aconteceu comigo, ano passado. Esses nºs. de telefones, ou não funcionam ou são colocados sempre na situação de interrompido propositadamente.

    É uma autêntica humilhação aos utentes. Desde recepção à obtenção de visto.

    Espero que quem de direito resolva esse problema o mais rápido possível.

  9. Margarida Andrade

    Vergonhosa, a maneira como funcionam as representações diplomáticas de Portugal em África. E não só com os cidadãos estrangeiros, também com os cidadãos portugueses. É só ver o exemplo do Consulado no Mindelo, onde por doença da Cônsul (que desde já lamento e que faço votos de rápidas melhoras), há assuntos que estão pendentes há 3 meses! Percebemos todos que a Srª foi nomeada pelo MNE, e que não se nomeia um substituto sem esgotar todas as possibilidades de melhoria do actual titular, mas… e a Embaixada de Portugal na Praia não pode resolver esses assuntos? É mesmo necessário que os cidadãos se desloquem à capital para resolver tudo presencialmente, num país insular, onde os transportes são deficientes? Palhaçada, tenham vergonha, e comecem a servir os cidadãos, nacionais ou não, que para isso é que são pagos!

  10. Ivan

    Enquanto isso há esses Caboverduras a saltarem, jubilarem quando uma determinada seleção conquista o podio!!!! Acordem!Povo , que o romance Portugues é um sonho decididamente utopico.

  11. Gilberto

    Quem poderia resolver essa humilhação não tem interesse porque tem dupla nacionalidade arranjada desde o tempo da independencia. Tambem não quer que outros patricios saem do País pois julga que voltarão mais esclarecidos e com isso mais dificil de enganar. Tenho dito.

  12. Silvério Marques

    Como é evidente, a Embaixada de Portugal na Praia poderá melhor do que explicar o que se passa. De qualquer forma todos devem saber que em determinadas matérias Portugal cedeu soberania á União Europeia. Visto para Portugal é visto para o espaço Shengen ( estará bem escrito ? ) e assim Portugal perde soberania e transforma-se em União Europeia.

  13. António Machado

    Vergonha pata Portugal!

  14. António Machado

    Português tem de ser sempre Portugues em todo o lado. Sobretudo arrogante. Eu vou muito a cabo verde. Desloco-me ao Consulado de Portimão e não demoro mais de 15 minutos. Viva Cabo Verde!

  15. RONNY

    Concordo na plenitude a cerca da humilhação sofrida pelos Cabo-verdianos quando o assunto é vistos para Portugal, sou Cabo-verdiano tambem passei por esta tortura psicológica mas com um final feliz. A Lusofonia esta cheia de projetos e ideias mas que não passam disto.

  16. Tiago

    Eu sou português e é com enorme tristeza que vejo isso acontecer.
    Mas, acreditem que o problema não é por ser cabo-verde ou serem cabo verdianos, mas sim a gigantesca burocracia que o Estado Português coloca em cima de tudo e de todos. Para se fazer (e ser) o que quer que seja neste país é necessário um papel e seguir os procedimentos que alguém muito estúpido definiu.
    Eu sou cidadão português e vou dar-vos um pequeno exemplo que me aconteceu à menos de um ano. Viajei em trabalho até Inglaterra e quando cheguei perdi a minha carteira com todo o dinheiro, cartões, identificação etc. Ao dirigir-me à policia local disseram que tinha que me dirigir ao consulado português em Londres, pois como era cidadão estrangeiro, tinha que procurar apoio na embaixada/consulado, que por sorte era perto do hotel onde tinha previamente reservado e assim pude ir a pé, pois o unico dinheiro que tinha eram umas miseras moedas que coloco sempre no bolso e esse dinheiro não chegava para o metro.
    Cheguei ao consulado, primeiro tive quase quatro horas à espera para ser atendido e, quando fui recebido por um miudo que não aparentava nem 25 anos, com ar de sono e mal encarado, diz-me que me passar um documento provisório de identificação eram precisos 2 fotografias, uma cópia do bilhete de chegada e outro do bilhete de regresso e 18 libras em dinheiro. Eu retirei as poucas moedas que restavam no bolso e disse, mas isto é o que eu tenho pois tinha ficado sem a carteira, a resposta foi: lamento mas é o procedimento e, sem isso não lhe posso fazer nada. Perguntei, de seguida se haveria possibilidade de alguém em Portugal entregar dinheiro nalgum lado (oficial) e que eles o recebessem de modo a eu poder tratar disso tudo e, a resposta foi que não estava nos procedimentos por isso não poderiam fazer nada.
    Como é óbvio, completamente fod* com aquilo saí dali e, consegui-me safar através de um empréstimo do dono do hotel onde tinha ficado. Caso contrário teria que virar criminoso para comer, dormir e voltar para o meu país.
    Por isso, mesmo para os portugueses existe a necessidade de vários papeis, comprovativos, certidões e dinheiro para o que quer que seja.
    Abraço e o importante é não desistir e valorizar o que realmente tem valor que, são as pessoas.

  17. S.da Luz

    Isto e uma vergonha para qualquer cidadao Caboverdiano que quer viajar a portugal a fim dos seus negocios ou tambem para visitar suas familias.Afinal os tais papelada que eles pedem e somento para paralizar um cidadao,mas o nosso Governo nao faz nada sobre isto? Bem estou de acordo no que disse o Glberto,porque eu tambem ja enviei uma vez uma carta ao meu sobrinho para vir visitar a holanda,a carta fui bem reconhecido pela lei holandesa mas em Cabo Verde ele nao podia ter a visa.Mas a mesma pessoa que lhe atendeu veio atraz dele e disse-lhe olha de tens cem mil escudos farei todo o possivel que podes viajar.

  18. João

    Infelizmente está a pagar o justo pelo pecador, muita gente tenta entrar na Europa em especial Portugal com visto de férias com outros fins, em especial trabalho ilegal, rumo a países mais ricos da comunidade europeia, como é normal tudo vai ficando mais difícil….. Sempre foi assim e assim vai ser infelizmente.

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