Cameron quer ver para crer antes de levantar sanções à Birmânia

13/04/2012 07:40 - Modificado em 13/04/2012 07:40
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O primeiro-ministro britânico, David Cameron, sinalizou nesta quinta-feira de manhã, em vésperas de iniciar uma visita histórica à Birmânia, que o seu Governo está pronto a levantar parcialmente as sanções ao regime birmanês – mas antes quer mesmo “ir lá e ver no terreno como as coisas estão a evoluir”.

Em périplo por vários países da região, que inclui etapas na Malásia e Singapura (após uma paragem no Japão), Cameron fez estas declarações ao discursar na universidade Al Azhar, em Jacarta, onde teceu elogios às reformas já concretizadas pelas autoridades da Birmânia no caminho para a democracia.

E se prosseguirem neste rumo, salientou, “então responderemos da mesma forma, e não seremos lentos a fazê-lo”, garantiu. O chefe do Governo britânico afirmara, pouco antes, numa entrevista à BBC Radio, que pretende agradecer pessoalmente ao Presidente birmanês, o antigo general Thein Sein, “pelo trabalho feito” nas reformas democráticas.

Nesta visita à Birmânia, que arranca sexta-feira, Cameron irá também encontrar-se com a líder da oposição e prémio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi, que há menos de duas semanas conquistou um mandato parlamentar nas eleições legislativas parciais, depois de ter passado quase todas as últimas duas décadas na prisão ou em detenção domiciliária, sob o jugo da Junta Militar.

Cameron é o primeiro líder ocidental a visitar a Birmânia desde estas recentes eleições e já deixou claro que quer ver com os próprios olhos o que entretanto mudou antes de se comprometer com o alívio de sanções: “Quero ir lá e ver no terreno como é que as coisas estão a evoluir”.

O país está sob uma série de sanções há mais de uma década, de natureza financeira – com o congelamento de contas de indivíduos e empresas ligadas ao regime militar, assim como a proibição de importações – e também de impedimento de deslocação sobre mais de uma dezena das principais figuras da Junta, por parte dos Estados Unidos, União Europeia e Canadá, justificadas pelos atropelos à democracia e violações dos direitos humanos. Estas sanções foram largamente reforçadas em 2007 no seguimento da repressão feita pelos militares a uma vaga de protestos e manifestações.

A possibilidade de um levantamento das sanções à Birmânia vai estar em discussão pelos ministros dos Negócios Estrangeiros europeus numa reunião marcada para 23 de Abril, sendo esperado que dali saia uma decisão similar à que foi tomada pelos Estados Unidos há uma semana: a anulação de algumas restrições financeiras e impedimentos de viagens impostos aos líderes birmaneses.

Logo nessa altura, de resto, o chefe da diplomacia britânica, William Hague, disse que os membros da União Europeia estarão provavelmente dispostos a levantar igualmente algumas das sanções impostas à Birmânia. “Mas isso não significa uma abertura instantânea e completa”, frisou Hague, avançando também que Londres manteria a pressão junto da administração birmanesa para que libertem os prisioneiros políticos.

Apesar de a Liga Nacional para a Democracia, de Suu Kyi, ter conquistado uma vitória histórica nas eleições de 1 de Abril, aqueles resultados fazem pouca mossa no domínio militar que há décadas governa o país. O Exército e o seu Partido da Solidariedade e Desenvolvimento da União (USDP) ainda controlam 80% do Parlamento, desde as eleições de Novembro de 2010 que foram boicotadas pela LND que as apelidou de fraudulentas.

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