A peça ‘As estrangeiras’ fala sobre o confronto de universos lusófonos que falharam

14/07/2016 08:59 - Modificado em 14/07/2016 08:59
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teatro3O jornal ‘O Público’ diz que a peça é uma crítica à comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) o que, no entanto, é refutado pelo encenador João Branco, responsável pela adaptação da obra de Luís Peixoto.

A peça será apresentada nos três países a que faz referência: após a sua estreia no Porto, Portugal, segue em finais de Agosto para Teresinha, no Piauí, Brasil” e, em Setembro, chega ao Mindelo.

A peça centrada em Portugal, Brasil e Cabo Verde, tem como palco o Teatro Municipal Rivoli e é protagonizada porhttps://www.publico.pt/sociedade/noticia/morreu-isabel-alves-costa-1396305 três mulheres que se encontram cheias de preconceitos sobre as nacionalidades das outras e dúvidas sobre a sua própria identidade. Contam as suas histórias sobre os seus preconceitos, sobre as experiências que as marcaram enquanto brasileira, portuguesa e cabo-verdiana, respectivamente. Janaina Alves é Isabella Alves, Francisca Lima é Maria do Rosário dos Santos e Sílvia Lima é Dailia Lima, a “Didi”.

“Movidas por diferentes aspirações, quis os destinos que se encontrassem na mesma “prisão”: a sala de um aeroporto onde esperam pela permissão para entrar nos Estados Unidos, o destino de imigração”. É naquele espaço que acabam por se entender, não por falarem português nem por fazerem parte da mesma comunidade, mas por estarem confinadas. “No fundo, a comunidade lusófona delas é este espaço fechado” que as torna na “mesma pessoa”, e “não aquele que é criado institucionalmente”, afirma João Branco, citado pelo ‘O Público’.

Vive-se, portanto, na peça o confronto de universos lusófonos que falharam na ideia de serem um só. João Branco recusa a ideia de que a peça seja um confronto das comunidades lusófonas por falharem na ideia de serem um só, são apenas três mulheres comuns que pensam como a maioria da população que representam simbolicamente. “Basta-me andar num táxi no Brasil e dizer que sou de Cabo Verde que o taxista não faz ideia de onde esteja. Se digo que Cabo Verde é na África, lá vêm os elefantes, os leões, as fomes e as guerras”.

Essas descrições são feitas tendo em conta a indústria do entretenimento: o Brasil que os portugueses constroem pelo enredo das novelas, Portugal que os brasileiros conhecem pelo humor popular (nunca falta a anedota “do português”), Cabo Verde que portugueses e brasileiros idealizam como “uma África Minha”, sustentada no cinema e na ideia fantasiosa de “a fome, a miséria e os animais selvagens”. Soma-se ainda um passado colonial “mal resolvido”.

Para João Branco, este tipo de encenações permite a troca de experiências culturais entre as comunidades, “porque a falta de conhecimento que temos uns dos outros” tem precisamente a ver com a escassez de contactos a esse nível. Para o encenador, falta a edição de autores da lusofonia nos vários países da comunidade, escreve a mesma fonte.

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